Brasileirão 1981 – Grêmio 2×0 Desportiva

January 25, 2021 by

Foto: Telmo Cúrcio da Silva  (Zero Hora)

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia sua terceira partida na campanha do seu primeiro título nacional.

Um vitória de 2×0 sobre a Desportiva no Olímpico, onde, ao que tudo indica, a atuação não foi das mais convincentes;

Foto: Zero Hora

Foto: Zero Hora

 

GRÊMIO VENCE EM JOGO MUITO FRACO
Só no segundo tempo é que a movimentação melhorou um pouco

[…]

Mas não foi fácil para o time chegar à sua segunda vitória em Porto Alegre. A atuação foi irregular, muito ruim no primeiro tempo do ponto de vista ofensivo, melhor no segundo quando teve a colaboração do garoto Flávio, o melhor da equipe.

A qualidade técnica do jogo esteve muito abaixo das possibilidades do Grêmio que, afinal tem a obrigação de desenvolver um futebol adequado à sua tradição e ao título de bicampeão gaúcho. A torcida até que resistiu bem aos erros da equipe, parecendo disposta a não vaiar ninguém a não ser que, no campo, o time continuasse jogando mal também no segundo tempo. No primeiro, realmente, ninguém conseguia perceber nenhum atrativo no jogo. O Grêmio tinha a iniciativa, procurava atacar, mas por isso mesmo era o time que mais corria o risco de errar — e errou muito mesmo.

[…]

O PLACAR

BALTAZAR para o Grêmio — 1 a 0 aos 20 minutos do segundo tempo —Baltazar entrou na área com a bola dominada e perdeu o equilíbrio e a bola para o zagueiro Adeir. O juiz marcou um pênalti que não existiu. O próprio Baltazar chutou quase no meio do gol, à direita de Rogério.

FLAVIO para o Grêmio — 2 a 0 aos 33 minutos do segundo tempo — A defesa da Desportiva já tinha dominado um ataque do Grémio mas Renato Sa recuperou a bola e passou a Dirceu, que driblou de Paula e cruzou para a área. Flávio, de cabeça, Acertou o canto direito do goleiro.” (Zero Hora, segunda-feira,  26 de janeiro de 1981)

 

 

Placar: “O JOGO: A Desportiva montou um retrancão e segurou o Grêmio no primeiro tempo. Com a entrada de Flávio, o Grêmio mudou tudo, forçou o ritmo e se impôs.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, edição n.º 559, 30 de janeiro de 1981)

Grêmio 2 x 0 Desportiva

GRÊMIO: Leão; Uchôa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Plein (Flávio) e Renato Sá; Tarciso, Baltazar e Odair
Técnico: Ênio Andrade

DESPORTIVA: Rogério, De Paula, Célio, Adeir e Vicente Paixão; Mareco (Amaral), Dario e Vicente Cruz; Giovani, Roberto Londrina e Marcos Rubens.
Técnico: Beto Pretti

3ª Rodada – 1ª fase – Brasileirão 1981
Data: 25/01/1981, Domingo
Local: Olímpico, Porto Alegre
Público: 10.936 pagantes
Renda: Cr$ 961.790,00
Juiz: Moacir Miguel dos Santos – RJ
Auxiliares: Olinto Preussler e Osmar Antonello
Cartão Amarelo: Dario
Gols: Baltazar (de pênalti) aos 20 e Flávio aos 33 minutos do 2º tempo

Brasileirão 2020 – Inter 2×1 Grêmio

January 25, 2021 by

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Em algum momento toda essa autossuficiência e arrogância vista Grêmio nos últimos tempos seria punido. Infelizmente esse “castigo” está sendo duríssimo.

 

É impressionante como o Grêmio se preparou mal para esse Brasileirão. E isso ficou muito claro já na segundo rodada da competição, quando diversos atletas foram inexplicavelmente poupados no jogo contra o Ceará.  O mais triste é que o Grêmio se recusou a aprender com o seu erro, e voltou a cometer o mesmo equívoco, novamente usando diversos reservas no jogo em Fortaleza. Ali o cenário que se apresenta hoje já se desenhava com muita clareza. E mesmo assim o Grêmio fez de conta que não tinha nada a ver com isso, tendo adotado uma estratégia muito equivocada para essa reta final do campeonato.

 

Não me parece ser absurdo cogitar que esse desdém convicto do Grêmio com o Brasileirão não tenha algum impacto sobre as decisões da arbitragem.

 

O pênalti em Ferreira ficou claríssimo nos replays. E o suposto toque de mão no pênalti marcado para o Inter é bastante discutível. É um escândalo que o árbitro não tenha ido checar essas jogadas no monitor que lhe é disponibilizado.

 

 

Foto: Ricardo Giusti (Correio do Povo)

Inter 2×1 Grêmio

INTERNACIONAL: Lomba; Rodinei, Lucas Ribeiro, Cuesta e Moisés (Uendel); Rodrigo Dourado Nonato), Peglow (Maurício), Edenilson, Praxedes (Marcos Guilherme) e Patrick (Abel Hernández); Yuri Alberto
Técnico: Abel Braga

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz, Geromel (Rodrigues), Kannemann e Diogo Barbosa; Lucas Silva (Maicon), Alisson (Luiz Fernando), Jean Pyerre (Pinares), Matheus Henrique e Pepê (Ferreira); Diego Souza
Técnico: Renato Portaluppi

32ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2020
Local: estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, RS
Data: 24 de janeiro de 2021, domingo, 16h00min
Árbitro: Luís Flávio de Oliveira (FIFA-SP)
Assistentes: Danilo Ricardo Manis (FIFA-SP) e Miguel Cataneo da Costa (SP)
VAR: Wagner Reway (PB)
Cartões amarelos: Moisés, Rodinei; Victor Ferraz e Diego Souza
Gol: Jean Pyerre, aos 30 do 2ºT; Abel Hernández, aos 44 do 2ºT, e Edenilson (de pênalti), aos 49 do 2ºT

Brasileirão 1990 – Inter 0x1 Grêmio

January 24, 2021 by

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Na segunda rodada do Brasileirão de 1990, o Grêmio venceu o Gre-Nal disputado no Beira-Rio

No lado tricolor era possível ver uma transição da equipe que ganhara o hexa gaúcho meses antes para esse time que seria semifinalista do Brasileirão. Uma das principais mudanças foi no gol gremista, que deixou de ser ocupado por Mazaropi. Naquela tarde, Gomes teve atuação destacada, recebendo uma nota 10 da Zero Hora.

Uma curiosidade foi a presença de Paulo Roberto Falcão no estádio, dez dias após ele assumir o comando da seleção brasileira.

Foto: José Doval (Zero Hora)

NO DIA DAS CARAS NOVAS, VANTAGEM DA EXPERIÊNCIA

Análise técnica

Foi a vitória da maior qualidade sobre o esforço. Quem assistiu ao Gre-Nal de ontem viu o melhor futebol do Grêmio pelo menos até fazer seu gol – Nilson, aos 18 minutos – especialmente no meio-campo onde havia uma perfeita sintonia entre Jandir e Donizete, marcadores, liberando Caio para um ataque forte com a entrada do agressivo Maurício, do matador Nilson e do perigoso Egídio. O Inter levou o gol ao natural, sem criatividade alguma no meio-campo, limitando-se a responder através de escanteios e de jogadas isoladas de Edu. Os chutes foram tentados de todas as distâncias mostrando que o goleiro Gomes era sinônimo de insegurança. Mas ele esteve muito vem e acabou com as esperanças coloradas.

O Inter foi melhor no segundo tempo, quando Alberto cresceu muito de produção e fez a ligação defesa-ataque. E ameaçou ainda mais após as entras de Alex e Hamilton. Mas seguia a falta de qualidade dos laterais. Célio e Ricardo, que não apoiavam, além da falta de maior objetividade de Marcelo Prates, que correu muito e produziu pouco.

Na experiência, tranquilidade e ótima atuação de Gomes, o Grêmio garantiu o resultado. E teve, através de Caio, a grande chance de marcar o segundo gol, depois de um contra-ataque iniciado por Nilson.

 

Análise tática

Quem mudaria o esquema era o Grêmio, a partir da entra de Maurício no lugar de Darci e isso, pelo menos teoricamente, poderia beneficiar o Inter. O desentrosado Inter que, por um erro do seu técnico, surpreendentemente, entrou em campo sem Hamilton e com Marcelo Prates, formação nunca testada durantes os treinos da semana.

Isso foi muito bom para o Grêmio que mostrava uma defesa bem protegida por dois centromédios sem ser molestada diante da falta de um ataque adversário, prejudicado pela ausência da qualidade Hamilton, o que poderia desequilibrar num momento de partida que a bola quase não chegava à frente. Taticamente, o Inter tinha quatro marcadores, enquanto o Grêmio atacava com o mesmo número de jogadores e até tirava proveito disso.

No segundo tempo, Bianchini tentou mudar com o ingresso de Alex. Retirou um centromédio marcador (Júlio) apostou num ponta aberto e deslocou Marcelo Prates para o meio. A resposta de Evaristo veio em seguida com as entrada de Vander e Darci, deixando o time mais cauteloso. O Grêmio suportava bem a pressão, os laterais não mais passavam do meio-campo, mas a verdade é que o Grêmio sempre esperou fazer o segundo gol. Por determinação de Evaristo, Paulo Egídio e um atacante, Nilson e depois Vander, ficaram sempre à frente.”

 

PRINCIPAIS LANCES

6 minutos – Nilson, impedido, marca gol. O árbitro anula, acertadamente.

8 minutos – China cobra falta de longe, com força. A bola raspa a trave. 1

8 minutos-  Paulo Egídio cobra escanteio no primeiro pau, a bola raspa na cabeça de Zaballa e Nilson cabeceia no ângulo esquerdo. Grêmio, 1 a 0.

20 minutos – Edu cobra falta da direita, Júlio cabeceia. Gomes faz grande defesa.

30 minutos – Edu chuta de longe, por cima da goleira

36 minutos – Alberto passa para Edu, que chuta. A bola raspa a trave.

40 minutos – Marcelo Pratas cruza, China, de cabeça salva para escanteio

44 minutos – Edu cobra falta. Gomes defende com segurança.

Segundo tempo:

6 minutos -Edu cobra falta, Gomes espalma para escanteio.

12 minutos – Edu cobra escanteio, Márcio Rossini cabeceia raspando.

15 minutos – Nilson cobra falta de longe, com força. Outra defesa de Gomes.

19 minutos – Prates perde a bola para Nilson, que lança Caio, livre, chuta por cima, já dentro da área

32 minutos – Boa conclusão de Hamilton, por cima

39 minutos – Última tentativa do Inter em obter o empate. Edu cruza da esquerda, com força, mas João Marcelo afasta para escanteio.”  (José Evaristo Villalobos, Zero Hora, segunda-feira, 27 de agosto de 1990)

 

Placar – O JOGO: “O Grêmio confirmou o favoritismo, apesar de jogar bem somente nos primeiros minutos e ter sido muito pressionado no final.” (Tabelão Placar/Revista Semana em Ação, 1990)

“VÍTORIA DO GRÊMIO NO SUL
 Nilson marca e o goleiro Gomes garante o resultado

José Mitchell PORTO ALEGRE — Num Grenal emocionante e muito disputado, apesar da tarde cinzenta e dos nove cartões amarelos, o Grêmio derrotou o Internacional por 1 x O, no Beira-rio, com um gol de cabeça de Nilson, ainda no primeiro tempo. Maurício foi o melhor dos nove jogadores dos dois times que estrearam, mas foi o goleiro Gomes quem garantiu a vitória tricolor. Donizete (ex- Fluminense) teve uma atuação discreta e terminou sendo expulso no seu primeiro clássico no sul.

O publico gaúcho voltou a encher o estádio, motivado por tantas estréias, e proporcionou uma renda superior à Cr$ 10 milhões, com 23 mil pagantes. Nem mesmo a chuva no final do jogo estragou a alegria dos torcedores. Enquanto os gremistas comemoravam a vitória, os colorados, amargando um jejum de título de seis anos, aplaudiam o time, considerado o melhor dos últimos tempos.

 A motivação dos torcedores estava centrada nos novos jogadores e o ponteiro Maurício foi o primeiro a empolgar. Antes dos 10 minutos realizou três excelentes ataques pelas pontas e foi o destaque do primeiro tempo Mas tantas estréias mostraram também times desentrosados. E foi o Inter o maior prejudicado. Prova disso, foi o gol do Grêmio. Aos 18 minutos, Nilson marcou de cabeça, aproveitando uma indecisão dos zagueiros Márcio Rossini e Zaballa.

Na segunda etapa, o Internacional pressionou e obrigou o goleiro Gomes a fazer sucessivas defesas. Aos 15 minutos. Márcio Rossini quase empatou, mas foi o Grêmio, aos 25, que perdeu ótima chance, com Caio, após vencer um zagueiro na corrida e chutar por cima do gol de Maizena. O Internacional até merecia o empate pelo domínio no segundo tempo, mas não teve sorte, apesar dos 10 escanteios a seu favor.” (José Mitchell, Jornal do Brasil, segunda-feira, 27 de agosto de 1990)

 

“UM GRE-NAL DE SATISFAÇÕES

Após a vitória do Grêmio no Gre-Nal de ontem, no Estádio Beira-Rio, o clima nos vestiários era de otimismo. No lado tricolor, pelo resultado e pela liderança do grupo, junto com Cruzeiro e Inter de Limeira. No Inter, apesar da derrota, a esperança de um bom time. A prova disso foram os aplausos ao final da partida pela própria torcida.

O goleiro Gomes, do Grêmio, escolhido como o melhor em campo, muito emocionado, era um dos jogadores mais festejados na saída do gramado. O meia Donizete, que estreava, disse que sua expulsão foi justa por já ter recebido o cartão amarelo. O vice de futebol, Rafael Bandeira, estava eufórico com a vitória, mas ao mesmo tempo, criticava a arbitragem, que, na sua opinião, não deveria ser gaúcha.

Pelo lado colorado, mesmo derrotado, o técnico Orlando Bianchini, que fazia sua estréia, adiantou que o resultado mais justo seria o empate. “Nosso rendimento cresceu após as substituições. Tomamos um gol num momento ruim da partida. Falta apenas um elemento que se aproxime do centroavante”, destacou.” (Pioneiro, segunda-feira, 27 de agosto de 1990)

 

Foto: Marconi Mattos (Folha de Hoje)

 

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

Inter 0x1 Grêmio

INTERNACIONAL: Maizena; Célio Lino, Zabala, Márcio Rossini e Ricardo Costa; Caçapava, Júlio (Alex Rossi), Marcelo Prates e Alberto Félix; Edu Lima e Nílson Aragão (Hamílton)
Técnico: Orlando Bianchini

GRÊMIO: Gomes; China, Vílson, João Marcelo e Hélcio; Jandir, Volnei Caio (Vânder) e Donizete Oliveira; Maurício (Darci), Nílson e Paulo Egídio
Técnico: Evaristo de Macedo

Brasileirão 1990 – 1º Turno – 2ª Rodada
Data: 26 de agosto de 1990, domingo, 16h00min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, RS
Público: 23.022 pagantes
Renda: Cr$ 10.341.000,00
Árbitro: José Mocellin
Auxiliares: Urbano Knorst e César Carrasco
Cartões Amarelos: Caçapava, Júlio, Marcelo Prates; Vílson, João Marcelo, Hélcio, Vânder e Maurício
Cartão Vermelho: Donizete Oliveira (36 do 2ºT).
Gol: Nílson, aos 18 minutos do 1º tempo

Brasileirão 1981 – Grêmio 2 x 1 Galícia

January 21, 2021 by

 

Há exatos 40 anos o Grêmio fazia sua primeira partida em casa na campanha do Brasileirão de 1981. Uma vitória suada contra o Galícia, na noite da estréia de Hugo De León com a camisa tricolor.

 

É interessante ver, nos textos transcritos abaixo, o técnico Ênio Andrade reclamando das vaias e pedindo compreensão para a torcida.

 

 

BALTAZAR ACABOU COM O SUSTO DA TORCIDA
Hugo De León saltou no escanteio e o centroavante marcou no rebote

Na estréia do zagueiro De León e do Iateral Uchoa e no retorno do ponteiro Tarciso, o torcedor do Grêmio tinha direito de desejar um futebol de melhor qualidade técnica — e o Grêmio não satisfez. Mas acabou vencendo o Galícia, vice campeão baiano, por 2 a 1 e este resultado serviu como consolo para a torcida que esperava ver uma equipe bem superior, queria ver os ídolos do time e foi surpreendido com uma boa atuação do garoto China no primeiro tempo.

Mesmo que não tivesse demostrado um futebol de boa qualidade técnica, o time do Grêmio dominou amplamente o primeiro tempo, criando algumas oportunidades de gol. Em parte, essas situações foram consequência da iniciativa que a equipe tomou desde os primeiros minutos, obrigando o Galícia a ficar em seu próprio campo mas sem chance de realizar sequer um bom contra-ataque.

O Grêmio atacou sempre e poderia ter feito gol em vários lancei, como aos 17 quando Dirceu foi uma excelente jogada peta esquerda, chagou próximo à área pequena o bateu forte, mas desviado. Ou então, aos 20 minutos, quando um único lance, Odair deixou de marcar e Baltazar perdeu dois lances. O gol, no entanto, surgiu numa jogada comum, quando Odair bateu escanteio da direita e Vantuir cabeceou no meio do gol.

Porém, uma surpresa aguardava o tranqüilo time do Grêmio aos 41 minutos: Esquerdinha acertou um chute muito forte de fora da área e empatou o jogo. E a surpresa poderia ter sido pior ainda se, dois minutos depois, o meio-campo Washington não tivesse se precipitado no momento da conclusão: ele passou a bola entre as pernas de De León, entrou na área, livrou-se de Dirceu e Vantuir ficando livre na frente de Leão. Mas chutou por cima.

Assim, os jogadores do Grêmio foram para o vestuário apreensivos e, por isso, recomeçaram a partida com muita pressa. O time manteve o ritmo e continuou pressionando o Galícia que permaneceu em seu campa. Aos cinco minutes, Odair cruzou e Renato Sá errou na bola. Dois minutos depois, Tarciso cruzou da direita, cobrando falta, a defesa do Galícia e o goleiro Helinho ficaram parados e Plein cabeceou livre, mas a bola passou por cima do travessão.

 A freqüência com que o Grêmio entrava na área e os erros cometidos nos momentos de concluir as jogadas ofensivas acabaram provocando certo nervosismo no time do Grêmio. Até que Ênio Andrade fez uma substituição importante, colocando Heber no lugar de Renato Sá, que não jogava bem. Dessa forma, o time se tornou um pouco mais ofensivo e aumentou ainda mais o ritmo, até que num dos inúmeros escanteios, Baltazar conseguiu marcar o segundo gol. O resultado da partida foi justo na medida em que o Grêmio é que estava mais interessado em vencer. Mas o futebol apresentado pela equipe de Ênio Andrade, embora superior ao adversário, ainda não foi de qualidade suficiente para dar confiança à torcida que deseja o título brasileiro.

 

O placar

VANTUIR para o Grêmio – 1 a 0 aos 30 minutos do primeiro tempo — Odair cobrou escanteio da direita e a bola encobriu o goleiro Helinho. Vantuir, na área pequena, saltou mais do que Washington e cabeceou forte, no meio do gol.

ESQUERDINHA para o — 1 a 1 aos 41 minutos do primeiro tempo Pirulito carregou a bola pelo meio, livrou-se de dois adversários e deu a Esquerdinha. O ponteiro, na meia esquerda, estava fora da área mas bateu muito forte, acertando o canto direito de Leão.

BALTAZAR para o Grémio — 2 a 1 aos 38 minutos do segundo tempo — O Galícia, pressionado, cedeu muitos escanteios. Num deles, De Leon tentou cabecear, não conseguiu mas permitiu que Baltazar ficasse com o rebote, tocando de cabeça para o gol.” (Zero Hora, quinta-feira, 22 de janeiro de 1981)

Placar:OPINIÃO: Grêmio amassou o Galícia retrancado até marcar o 1ºgol. Depois, os baianos equilibraram a partida. Vitória graças a Baltazar.” (Emanuel Mattos, Revista Placar, edição n.º 559, 30 de janeiro de 1981)

“HUGO DE LEÓN AJUDOU NESTA VITÓRIA
O zagueiro soube ser oportunista

Até os 40 minutos do segundo tempo, Vantuir tinha ido cabecear todos os escanteios. Mas naquele lance Hugo de León pediu para ir até a área do Galícia. Odair cobrou, o zagueiro uruguaio saltou de cabeça e a bola sobrou para Baltazar fazer o gol da vitória. A torcida vibrou com a bola na rede, aplaudiu o centroavante e também ao zagueiro, que teve participação no lance que acabou com o empate com o Galícia. No meio do jogo, de León foi até vaiado em algumas jogadas. Depois, disse:

— É sempre assim, as equipes pequenas vêm aqui se defender e dão muito trabalho para o Grêmio. Mas o importante é que conseguimos marcar o gol da vitória, já que é isto o que mais conta. Agora temos de ir adiante, pois estou descobrindo que as coisas aqui não são fáceis.

Tarciso, que voltou ontem ao time, lembrou que para ser campeão, o Grêmio terá de enfrentar grandes dificuldades, como as de ontem:

— Só lamento não ter podido jogar como sempre, pois estou voltando. Mas eu peço à torcida que dê uma força ao Renato Sá. Ele foi vaiado, mas é um jogador excelente. ” (Zero Hora, quinta-feira, 22 de janeiro de 1981)

ÊNIO: TORCIDA PREJUDICOU O TIME

Ênio Andrade não gostou nem um pouco das vaias da torcida para a equipe, especialmente para Renato Sá. Depois do jogo ele garantiu que o jogador continuará sendo o titular na meia-esquerda, dizendo que sua função foi bem cumprida. E aproveitou para lembrar a torcida:

— A torcida acabou prejudicando o time com suas vaias. A vaia complicou a equipe e isto aí acaba desmotivando os jogadores e nos criando problemas enormes. Eu peço maior compreensão, pois o time está começando o ano, ainda falta muita coisa e isto será conseguido com o tempo. Mas é importante que as vaias não aconteçam. Eu sei que o time precisa melhorar, mas não serão as vaias que vão influir nisto aí.” (Zero Hora, quinta-feira, 22 de janeiro de 1981)

Fotos: Damião Ribas e Antonio Pacheco (Zero Hora)

Grêmio 2 x 1 Galícia

GRÊMIO: Leão; Uchôa, Vantuir, De León e Dirceu; China, Plein e Renato Sá (Éber); Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

GALÍCIA: Helinho; Toninho, Morais, Cléber e Flávio; Pirulito, Washington, Rangel, Guta, Vilfredo (Carlos Roberto), Esquerdinha
Técnico: Danilo Alvim

2ª Rodada – 1º Fase – Brasileirão 1981
Data: 21 de janeiro de 1981, Quarta-feira, 21h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Público: 21.271 pagantes
Renda: Cr$ 2.130.400,00
Juiz: Tito Rodrigues – PR
Auxiliares: José Mocelin e Aimoré Silva
Cartões Amarelos: Morais, Pirulito e Guta
Gols: Vantuir, aos 31 minutos do 1º tempo, Esquerdinha aos 42 do 1º tempo e Baltazar aos 37 minutos  do 2º tempo

Brasileirão 2021 – Grêmio 1×1 Atlético Mineiro

January 21, 2021 by

Foto: Lucas Bubols (Globo Esporte)

Não dá pra entender muito bem o que o Grêmio está fazendo nesse campeonato.

Foto: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

Grêmio 1×1 Atlético Mineiro

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz Everton, aos 35’/2ºT), Rodrigues, Kannemann e Diogo Barbosa; Lucas Silva (Maicon, aos 13’/2ºT), Thaciano (Pinares, aos 12’/2ºT), Alisson (Ferreira, aos 28’/2ºT), Jean Pyerre e Pepê (Luiz Fernando, aos 28’/2ºt); Diego Souza
Técnico: Renato Portaluppi

ATLÉTICO-MG: Everson; Guga, Réver(Gabriel, intervalo), Junior Alonso e Igor Rabello; Guilherme Arana, Allan e Hyoran (Dylan Borrero, aos 31’/2ºT); Savarino (Alan Franco, aos 20/2ºT), Vargas (Sasha, aos 31’/2ºT) e Keno (Marrony, aos 41’/2ºT)
Técnico: Jorge Sampaoli

31ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2020
Data: 20 de janeiro de 2021, quarta-feira, 19h15min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre, RS
Árbitro: Raphael Claus
Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse e Alex Ang Ribeiro
VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral
Cartões amarelos: Alisson; Allan
Gols: Hyoran (de pênalti) aos 31 minutos do primeiro tempo; Éverton, aos 37 minutos do segundo tempo

Brasileirão 1987 – Grêmio 0x0 Atlético Mineiro

January 20, 2021 by

Foto: José Ernesto (Correio do Povo)

 

No Brasileirão de 1987, o Grêmio não conseguiu sair do 0x0 com o Atlético Mineiro no Olímpico, na primeira rodada do segundo turno. O Galo já tinha garantido vaga nas semifinais ao terminar o primeiro turno na primeira posição (dois pontos a frente do Grêmio) e terminaria na liderança também neste segundo turno.

Essa foi a primeira vez que o Grêmio usou a camisa reserva com o patrocínio da Coca- Cola (na camisa tricolor a marca apareceu duas  rodadas antes, no clássico Gre-Nal).

Foto: José Ernesto (Correio do Povo)

 

 

 

GRÊMIO EMPATA EM JOGO DECEPCIONANTE
Torcida foi ao Olímpico esperando um bom futebol contra o Atlético. No final, deixou o estádio frustrada

Quem foi ao Olímpico, ontem à noite, tinha todas as razões para acreditar que assistiria a um jogo cheio de emoções. Afinal, em campo estariam Grêmio e Atlético, as duas equipes de melhor campanha abrindo o segundo turno da Copa União. Mas o jogo que prometia ser um grande espetáculo acabou sendo uma decepção, terminando num triste 0 a 0. O resultado serviu apenas para o Atlético, que manteve sua invencibilidade e o conceito de melhor equipe da competição. Já o Grêmio só pode lamentar a perda de um precioso ponto, pois num grupo tão difícil é proibido empatar em casa. Agora, o time terá de recuperar esse ponto com uma vitória fora, de preferência Já na próxima rodada, quinta-feira, contra o Flamengo.

O time treinado por Telê Santana jogou mineiramente. Posicionou-se tranqüilo em seu campo e esperou o Grêmio atacar. E, como quem não quer nada, foi, aos poucos, arriscando algumas investidas tentando pegar a defesa desprevenida. Mas a defesa do Grêmio mostrou por que é a melhor da competição, anulando o ataque mais positivo.

O primeiro tempo foi jogado num ritmo arrastado, com as duas equipes chegando pouco na área para concluir. O Grémio até que forçou, mas ai parou no jogo duro do Atlético, favorecido por um árbitro condescendente. No segundo tempo, o Grémio acertou a marcação no meio-campo, controlando o time mineiro. Mas faltou mais força e criatividade no ataque. Lima e Jorge Veras foram inoperantes, facilitando o trabalho dos zagueiros do Atlético e do goleiro João Leite.” (Correio do Povo, 24 de outubro de 1987)

 

TÉCNICO TELÊ SANTANA ASSALTADO

O técnico Telê Santana foi assaltado na manhã de ontem, na esquina das ruas Jerônimo Coelho e Vigário José Inácio. O treinador do Atlético havia saído por volta das 8h, com a intenção de visitar o centro de Porto Alegre. Ao retornar ao Hotel Embaixador, às 9h15min, onde estava hospedado juntamente com os jogadores do time mineiro, foi abordado por um homem branco, cabelos pretos e aparentando 35 anos. Em ação rápida, o marginal enfiou a mão no bolso direito da calça de Telê, roubando-lhe Cz$ 500,00.

De posse do dinheiro, o ladrão correu em direção à Duque de Caxias. Algumas pessoas ainda tentaram segurá-lo. Mas as ameaças de puxar uma faca da cintura frustraram qualquer tentativa. Com o bolso rasgado e refeito do susto, Telê lembrou: “Pensei que fosse brincadeira de algum amigo, tentando me dar um susto”. (Correio do Povo, 24 de outubro de 1987)

 

Wianey Carlet – DECEPÇÃO
Grêmio x Atlético, em matéria de futebol, esteve muito longe da excelente platéia que se fez presente, ontem à noite, ao Olímpico. E futebol sem ataque só pode dar no que deu: um rotundo a O. Para decepção do torcedor gremista que viu seu time se defender bem, mas de uma pobreza ofensiva franciscana. Um início nada animador do Grêmio neste returno.” (Wianey Carlet, Correio do Povo, 24 de outubro de 1987)

GRÊMIO PERDE PONTO CONTRA O ATLÉTICO

Apesar de ter dominado a maior parte do jogo, o Grêmio não teve força ofensiva e ficou no empate sem gols contra o Atlético na abertura do returno da Copa União. A equipe de Telê Santana jogou para garantir o 0 x 0 e conseguiu seu objetivo, sem ameaçar a equipe de Luís Felipe.

O Grêmio passou vários dias dizendo que jogaria no ataque para conseguir vencer o invicto Atlético Mineiro, na abertura do returno da Copa União ontem à noite, no Estádio Olímpico Bem que o time de Luís Felipe tentou pressionar o adversário, mas a equipe de Telê Santana se fechou muito bem e conseguiu segurar o empate sem gols, resultado que agradou aos visitantes. Na verdade, foi um jogo muito disputado no meio-de-campo. com o Atlético procurando parar a partida em todo o instante, ao mesmo tempo em que o Grêmio buscava a iniciativa da partida, pois a vitória era fundamental para começar bem esta fase.

No primeiro tempo a equipe de Luís Felipe criou uma situação clara de gol aos 32 minutos quando Valdo cobrou escanteio da esquerda e Luís Fernando, sozinho, cabeceou com força, mas sobre o travessão. Já o Atlético não levou nenhum perigo ao gol do Grêmio, pois a defesa mostrou deficiências em seu setor ofensivo. O tricolor foi impecável, especialmente com o protetor Amaral e os laterais Alfinete e Casemiro, que não deram nenhuma chance para o ataque do Atlético, que foi impotente diante da forte marcação tricolor.

No segundo tempo, o Grêmio poderia ter aberto o marcador aos cinco minutos quando Bonamigo recebeu de Cuca e chutou sobre o goleiro João Leite, que fez grande defesa. Depois Bonamigo teve outra oportunidade, aos 11 minutos, ao ganhar de Luizinho e bater desviado pela linha de fundo.

O Atlético Mineiro também teve duas boas oportunidades. A primeira aos 22 minutos, quando Paulo Roberto cruzou da esquerda e Sérgio Araújo chegou atrasado para completar Depois o Galo ameaçou novamente aos 33 minutos e Sérgio Araújo conseguiu sua única vantagem sobre Casemiro e cruzou para Renato , de peixinho, concluir sobre o gol de Mazaropi.

O técnico Luís Felipe ainda colocou Cristóvão no lugar de Bonamigo, mas o Grêmio não conseguiu o resultado que desejava, pois o Atlético continuou fechado, e o Grêmio , com Lima e Jorge Veras bem marcados e Cuca muito recuado, mostrou deficiências em seu setor ofensivo. O jogo foi assistido por 32.878 pagantes que proporcionaram uma arrecadação Cz$ 4.070.700,00.” (Pioneiro, 24 de outubro de 1987)

 

Grêmio 0x0 Atlético Mineiro

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, Henrique, Luis Eduardo e Casemiro; Amaral, Bonamigo (Cristovão) e Cuca; Valdo, Lima e Jorge Veras
Técnico: Luiz Felipe Scolari

ATLÉTICO: João Leite; Chiquinho, Batista, Luisinho e Paulo Roberto; Éder Lopes, Marquinhos (João Luis) e Vânder Luis; Sérgio Araújo, Renato Morungaba e Marquinho Carioca
Técnico: Telê Santana

Brasileirão 1987 – Segundo Turno – 1ª Rodada
Data: 23 de outubro de 1987, sexta-feira, 21h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 32.888 pagantes
Renda: Cz$ 4.070.700,00
Árbitro: Pedro Carlos Bregalda
Auxiliares: João Loureiro e César Volgueller
Cartões amarelos: Lima, Henrique e Chiquinho

Brasileirão 2020 – Palmeiras 1×1 Grêmio

January 17, 2021 by

No primeiro tempo o Grêmio foi completamente apático e, por sorte levou diversos bolas na trave e somente um gol. No final da partida, Diego Souza conseguiu anotar o gol de empate e por pouco o tricolor não buscou uma virada “criminosa”.

Eu não entendi muito bem o que o Renato pensou para o meio-campo do Grêmio. Nos mapas de calor, Thaciano atuou mais adiantado do que Jean Pyerre, posicionamento que, ao menos para mim, não faz muito sentido.

Eu gostaria de ver mais peças azuis nessas combinações de fardamento reserva do Grêmio.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

Palmeiras 1×1 Grêmio

PALMEIRAS: Weverton, Marcos Rocha (Mayke 40’/2ºT), Luan, Alan Empereur (Kuscevic 22’/2ºT) e Matías Viña; Emerson Santos, Zé Rafael e Raphael Veiga (Lucas Lima 33’/2ºT); Breno Lopes, Rony (Luiz Adriano 22’/2ºT) e Willian Bigode (Gustavo Scarpa 34’/2ºT)
Técnico: Abel Ferreira

GRÊMIO: Vanderlei; Victor Ferraz, Rodrigues, Kannemann e Diogo Barbosa; Matheus Henrique (Maicon 34’/2ºT), Thaciano (Pinares 27’/2ºT), Alisson (Luiz Fernando 35’/2ºT), Jean Pyerre e Pepê; Diego Souza
Técnico: Renato Portaluppi

30ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2020
Data: 15 de janeiro de 2021, sexta-feira, 21h30min
Local: Allianz Parque, em São Paulo, SP
Árbitro: Bruno Arleu de Araújo
Assistentes: Michael Correia e Thiago Henrique Neto Correa Farinha
VAR: Rodrigo Nunes de Sá
Cartões amarelos: Breno Lopes, Marcos Rocha e Lucas Lima (PAL); Kannemann
Gols: Raphael Veiga, do Palmeiras, aos 32 minutos do primeiro tempo; Diego Souza, do Grêmio, aos 42 minutos do segundo tempo

Brasileirão 1976 – Palmeiras 0x0 Grêmio

January 15, 2021 by

No Brasileirão de 1976, o grande “personagem” do confronto entre Palmeiras e Grêmio foi o gramado do Parque Antártica, tendo sido objeto de reclamação forte dos atletas do tricolor. Curiosamente, na rodada anterior, os Palmeirenses haviam reclamado bastante do terreno de jogo do estádio Centenário, quando também ficaram no 0x0 com o Caxias.

 

De tal modo fica a pergunta: O gramado do Parque Antártica em algum momento foi bom?

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

CAMPO RUIM NÃO PERMITIU MAIS QUE UM EMPATE

O mau estado do gramado do Parque Antártica foi o principal responsável pela Partida muito ruim que Grêmio e Palmeiras realizaram na tarde de ontem. O campo seco, esburacado e com muitos cocorutos, acabou logo nos primeiros minutos, com toda a boa intenção que os treinadores Dudu, do Palmeiras e Telê Santana, do Grêmio, tinham no sentido de fazer com que suas equipes apresentassem um futebol de toques e jogadas organizadas dentro do esquema pretendido por eles.

No final, o empate em zero acabou sendo o resultado mais justo de urna partiria muito ruim tecnicamente, onde o excelente público pagante de 31.798 pessoas teve poucas oportunidades de vibrar com jogadas de gol ou ao menos com bons lances de futebol.

PELAS PONTAS

Os primeiros minutos de jogo serviram principalmente para determinar a transformação na forma de atuar da equipe do Grêmio. Desde o início os jogadores tentaram rolar a bola, procurando realizar as jogadas que haviam sido ensaiadas durante a semana. Mas logo eles viram que isso seria impossível pelo mau estado do gramado. A bola não rolava, ela batia nos cocorutos, desviava, obrigando os jogadores a um maior esforço, para recuperar o lance.

Durante esses minutos, quando tentou as jogadas ensaiadas, o Grêmio ficou totalmente perdido no gramado do Parque Antártica. Sorte dele que o Palmeiras – melhor adaptado aos buracos e cocorutos  – não se mostrava muito interessado em ir ao ataque. O esquema de jogo organizado por Dudu em momento algum mostrou ser ofensivo. Havia um cuidado muito grande na defesa e o meio-campo procurava fechar espaços um pouco à frente da área os bons lances que eram criados no ataque aconteciam através de lançamentos em profundidade, visando explorar a velocidade dos ponteiros Edu e Nei.

Aos poucos os jogadores do Grêmio foram percebendo que, se quisessem conseguir alguma coisa de útil, deveriam tirar a bola de primeira, jogando pelas laterais do campo, onde os acidentes geográficos tinham menor intensidade. E foi a partir dos lances individuais tentados principalmente por Ortiz, que o Grêmio teve as suas boas oportunidades, A melhor delas aconteceu aos 8 minutos, quando Ortiz passou por Rosemiro e cruzou para Alcino, que errou em bola, mas ainda teve tempo para, chutar a gol na segunda tentativa. A bola venceu ao goleiro Leão, mas o lateral-esquerdo Ricardo salvou em cima do risco, tocando para escanteio. Este foi o grande lance de gol do Grêmio em toda a partida, mas dois minutos antes, Ancheta já havia perdido também uma boa oportunidade , na cobrança de um escanteio, no tocar de cabeça para o gol, e na volta, chutar pela linha de fundo.

Depois das duas chances de gol perdidas, o Palmeiras aumentou os cuidados defensivos, colocando um jogador a mais em cima de Ortiz (normalmente era Didi). Aos 15, minutos foi a vez do Palmeiras perder sua primeira chanca de gol, quando Alexandre perdeu a bola infantilmente para Toninho, que chutou por cima do gol de Cejas. E aos 41 minutos, o Palmeiras perdeu a maior chance do primeiro tempo, quando Neio ganhou de Eurico e tocou a bola entre Ancheta e Beto Fuscão, para a entrada de Ademir da Guia, que ficou sozinho diante de Cejas e tocou pelo lado do gol.

Depois disto, aos 43 minutos, aconteceu o único lance discutível da arbitragem, quando a bola bateu na mão de Ancheta e a torcida palmeirense pediu pênalti. O árbitro Jose Roberto Wright interpretou o lance como bola na mão e mandou seguir a jogada. Logo depois terminou o primeiro tempo, com vaias da torcida para o mau espetáculo.

As esperanças de que no segundo tempo, as duas equipes melhorassem a qualidade do futebol apresentado, acabaram cedo. Desde os primeiros movimentos desta etapa, os jogadores procurando tocar rapidamente a bola  para frente, tentando explorar os únicos lances que deram certo no primeiro tempo: as jogadas pelas pontas.

No Grêmio, a defesa não tinha maiores problemas, e quando Eurico avançava para ajudar o ataque, Vitor Hugo fazia a cobertura do setor. O meio-campo tinha em Vitor Hugo, seu jogador mais lúcido, embora Alexandre tentasse inutilmente parar a bola e organizar as jogadas. Iúra era um peso morto, e apesar de todo o esforço, comprometia o trabalho dos companheiros. No ataque, até ser substituído por Tarciso, Zequinha criou alguns lances de perigo, mas bem menos que Ortiz, enquanto Alcino ficava trocando empurrões com a zaga do Palmeiras, talvez para compensar o mau futebol apresentado.

O Palmeiras era um time bem organizado na defesa e tinha um meio-campo sem muitas idéias, cuja única preocupação era explorar a velocidade dos ponteiros, deixando o centroavante Toninho perdido entre os zagueiros.

Nesta etapa, o Grêmio teve maior presença em campo embora sem grandes oportunidades de gol. A maior delas aconteceu aos 18min, quando Zequinha chutou da entra da área, obrigando Leão a desviar para escanteio. O Palmeiras que parecia inferiorizado em campo, perdeu um gol certo aos 16 minutos e quase ganhou o jogo no minuto final, quando Edu chutou desviado no risco da pequena área. O que seria uma injustiça, já que nenhuma das equipes, pelo futebol apresentado, merecia a vitória.” (José Enedir, Zero Hora, segunda-feira, 20 de setembro de 1976)

 

 

PALMEIRAS E GRÊMIO, SEM GOLS, SEM FUTEBOL
Os times completaram o segundo empate em zero. Houve equilíbrio e pouco futebol. No 1º tempo, o Palmeiras ficou na defesa, aceitando a pressão. Só depois reagiu

Mais de 30 mil torcedores foram ao Parque Antártica e viram um futebol sem gols, ontem à tarde, num jogo equilibrado tanto no cuidado defensivo como na falta de criatividade dos dois ataques. O Palmeiras de Dudu e o Grêmio de Telê Santana completaram o segundo empate seguido a zero, na partida em que o lateral-direito Eurico não derrotou seu ex-clube mas também não deu chances para o ponta Nei levá-lo à vitória.

Mesmo atuando em casa, com sua torcida a incentivar, o Palmeiras começou cauteloso, guardando-se e prendendo a bola. O Grêmio, que precisava mais da vitória, tomou a iniciativa ofensiva, mas sem encontrar espaços para penetração.

Forçava principalmente pela esquerda, com o argentino Ortiz em cima, de Rosemiro, que gostava de avançar e além disso não é bom marcador. Logo nos primeiros lances o lateral mostrou que não estava bem, dando vantagem ao ponta. Pressionando por ali o time gaúcho preocupava a defesa palmeirense, perdendo uma, boa oportunidade para abrir a contagem aos 9 minutos. Num cruzamento para a área, Leão falhou e o centroavante Alcino furou na conclusão, aparecendo Ricardo para salvar antes da chegada de outro atacante gremista.

Ademir da Guia, peça mais importante do Palmeiras, não saia para levar sua equipe ao ataque como era de se esperar. Plantava-se do meio para trás e os companheiros o acompanhavam na cautela defensiva. A primeira tentativa visando o gol foi um chute de Toninho, em contra-golpe, virando bem a bola passando sobre as traves de Cejas.

Pouco depois Jorge Mendonça chutava também com perigo, rente ao poste direito de Cejas, e mais tarde Didi cobrava uma falta com malícia, assustando mais uma vez o arqueiro. Mas eram apenas tentativas esporádicas, que animavam a torcida mas não encorajavam o time a partir para um sistema mais ofensivo.

Jorge Mendonça e Toninho voltavam para acompanhar o recuo de Ademir, deixando tranquila a defesa do Grêmio, que era o time mais distribuído e organizado taticamente em campo. Só faltava seu ataque penetrar, o que se tornava difícil pela aglomeração da equipe de Dudu na retaguarda.

Esta resistência, que consistia em dar também maior cobertura a Rosemiro contra as jogadas individuais de Ortiz, foi aos poucos quebrando a disposição ofensiva do time gaúcho, tornando a partida equilibrada, presa no meio de campo, ao final do primeiro tempo.

Edu havia sentido uma fisgada na coxa, que prejudicou seu rendimento quando a equipe tentou algum lance pelo seu lado. Mesmo assim, acreditava-se que o Palmeiras tivesse guardado o fôlego e a coragem para a segunda fase. Foi o que realmente se viu no reinicio do jogo, logo ele esteve perto do gol por duas vezes.

Um ataque do Grêmio através de Zequinha, entretanto, exigiu a defesa de Leão e mostrou que a equipe do Parque Antártica não poderia se descuidar na retaguarda para não ser, surpreendido em contra-golpes. Invertendo-se a situação do primeiro tempo, o time gaúcho voltou armado na resistência, impedindo as jogadas de área por parte do Palmeiras que forçava.

O receio de Edu em forçar a perna e a necessidade de Rosemiro se prender atrás na marcação de Ortiz tornavam praticamente nulo o setor direito do time, enquanto do outro lado Eurico não dava chances a Nei e Zequinha ameaçava atacar nas costas de Ricardo se este saísse para apoiar.

Ademir da Guia soltou-se um pouco mais, porém sofria agora a firme vigilância do volante Vitor Hugo, que contava com o recuo de Alexandre no trabalho de destruição (depois de armar e forçar Didi a se fixar no campo de defesa em toda a primeira etapa). Com a retração também de Iura, o goleador gremista Alcino ficou isolado na, frente.

Dudu, para reforçar o ataque pelo meio, substituiu Toninho por Itamar, ao mesmo tempo em. que Telê mudava também o Grêmio, trocando Zequinha por Tarciso que se desloca melhor no ataque. Minutos após, o Palmeiras perdeu Samuel, contundido, entrando Jair Gonçalves na quarta-zaga e passando Arouca para central.

O técnico mandou sua equipe toda ao ataque no fim, mas foi inútil, A última grande oportunidade foi desperdiçada por Edu no último minuto, recebendo preciso passe de Jorge Mendonça e chutando para fora quando estava sozinho frente ao goleiro Celas.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 20 de setembro de 1976)

“DUDU GOSTOU, E TEM UM REFORÇO: PICOLÉ

Como sempre acontece nos resultados negativos da equipe, o Palmeiras só abriu o vestiário para a imprensa quando os jogadores já estavam saindo, apressados. Lá dentro, o presidente Paschoal Giuliano comentava que “o importante é não perdermos em nosso campo, acho que o empate foi bom para nós”, enquanto’ o técnico Dudu dava a mesma opinião e acrescentava elogios ao Grêmio:

“Sabíamos que seria um jogo difícil, por isso não entramos jogando num ritmo desenfreado, buscando logo o gol. Tentamos a vitória, mas sempre nos resguardando de uma surpresa, pois conhecemos a força do Grêmio. Além disso, o Palmeiras estava jogando bem, criando situações de perigo para o gol do Ceias, Só não marcamos por falta de sorte dos nossos atacantes.”

O lateral-direito Rosemiro, um dos poucos jogadores que ainda não haviam ido embora, culpou o campo do Parque Antártica pelo resultado e o mau futebol dos dois times: “O gramado não está bom e isso impediu um jogo mais clássico, Em várias oportunidades tivemos que dar chutões para a frente, pois não podíamos facilitar e tocar a bola tendo pela frente atacantes perigosos como o Ortiz, Alcino e outros.”

Antes da partida, por volta de 14h30, Giuliano e o diretor Nicola Racciopi apareceram no clube acompanhados do centroavante Picolé, revelação do Noroeste no último Campeonato Paulista. Os três estavam chegando de Bauru, onde o Palmeiras acabara de acertar a compra do atacante, que é a mais nova contratação do clube.

Como havia outros times interessados no jogador, a diretoria palmeirense, temendo perdê-lo, resolveu fazer uma proposta para a compra definitiva como o Noroeste exigia, pagando então 400 mil cruzeiros pelo passe. Picolé já assinou o contrato, em base não reveladas, e viajou depois para Bauru, mas hoje à tarde estará de volta. Dudu, que queria o centroavante inicialmente por empréstimo para testá-lo, dará a ele agora a chance de disputar a camisa titular com Toninho e Itamar.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 20 de setembro de 1976)

 

 

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

TELÊ E JOGADORES CULPARAM O GRAMADO

Embora reconhecendo que o empate foi um bom resultado para o Grêmio, seu técnico Telê Santana e os jogadores demonstraram revolta com o estado do gramado, apontando% como Principal adversário da equipe na partida.

 “Procurei fazer o time jogar ofensivamente, tocando a bola rápido, mas esse campo é impossível praticar um bom futebol, Acho que deveria haver um protesto geral, dos clubes e da imprensa, contra a realização dos jogos em gramados que prejudicam o espetáculo e descontentam o público”, comentou Telê.

Mesmo assim, o treinador gostou da apresentação de sua equipe: “O Grêmio teve uma boa atuação, jogando um futebol ofensivo. Nossos jogadores correram, lutaram, procuraram o gol. Só não puderam produzir mais no aspecto técnico porque o campo não permitiu.”

Eurico, ex-Palmeiras, também saiu satisfeito com a produção do time gancho. Ele, que conhecia bem a equipe do Parque Antártica, disse que tinha medo do meio de campo adversário: “Todos sabem que o Ademir é o responsável por grande parte das jogadas do Palmeiras. Procuramos então marcá-lo em cima. Acho que conseguimos um excelente resultado.”

Para Alexandre Bueno, o Grémio não rendeu o que pode: “Nosso time melhorou bastante com a entrada do Telê, agora já temos uma série de Jogadas ensaiadas. Hoje elas só não funcionaram porque o estado do gramado não deixou. Era Milito difícil armar os lances, quando nós conseguias dominar a bola o adversário já estava por perto.”

A torcida estranhou a substituição do ponta Zequinha por Tarciso, quando quem atuava mal era o centroavante Alcino, Telê explicou a alteração, alegando que “mantive o Alcino como opção de jogo pelo alto, pois estava difícil chegar ao gol por baixo. O centroavante é um bom cabeceador. Infelizmente não deu certo, mas tínhamos que tentar.”

A delegação do Grêmio seguiu direto do Parque Antártica para o aeroporto, embarcando de volta a Porto Alegre.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 20 de setembro de 1976)

 

Foto: Verdazzo

 

TELÊ SANTANA:O campo está em péssimo estado e o prejuízo não foi só do Grêmio, mas de todo o espetáculo. Desse jeito é difícil jogar. Mas no final, o empate foi um resultado razoável; todos preferíamos uma vitória, mas não há de ser nada, isso vai melhorar.”

TELÊ SANTANA:O que eu gostei mesmo foi que o Grêmio não foi um time defensivo, ele atacou sempre, não dando folga para o Palmeiras. Essa é uma boa forma para se jogar.”

 

ORTIZ:Esses caras vão lá no Sul e dizem que o campo é ruim. Então, o que dizer do campo deles? Não dava para dominar a bola, a grama é ruim e nem sei como é que as autoridades permitem realizar jogos de um campeonato importante nessas condições.

ORTIZ:Jogamos bem e merecíamos melhor sorte. No jogo contra o Santos o empate foi justo, mas contra o Palmeiras tivemos mais presença. Se os gols não surgiram só pode ter sido pelo campo. Eles já estavam acostumados  a jogar assim, nós não. Aí é que está a diferença. Para mim, o campo do Palmeiras é pior do que muitos campos do nosso campeonato regional.

 

EDU:Sei que é chato justificar o terreno, principalmente depois daquela bronca que demos lá em Caxias. Mas o homem que cuidava da grama faleceu.

 

Foto: Hipolito Pereira (Zero Hora)

 

Palmeiras 0x0 Grêmio

PALMEIRAS: Emerson Leão; Rosemiro, Samuel (Jair Gonçalves), Arouca e Ricardo Longhi; Didi e Ademir da Guia; Edu Bala, Jorge Mendonça, Toninho (Itamar) e Nei
Técnico: Dudu

GRÊMIO: Cejas; Eurico, Ancheta, Beto Fuscão e Bolívar; Vítor Hugo, Iúra e Alexandre Bueno; Zequinha (Tarciso), Alcino e Ortiz
Técnico: Telê Santana

Campeonato Brasileiro 1976 – 1ª Fase – Grupo A
Data: 19 de Setembro de 1976
Local: Parque Antártica, em São Paulo, SP
Público: 31.798 pagantes
Renda: Cr$ 690.070,00
Árbitro: José Roberto Wright (RJ)
Auxiliares: Nilson Cardoso Bilha e Márcio Campos Sales
Cartões Amarelos: Nei e Vítor Hugo

Brasileirão 2020 – Fortaleza 0x0 Grêmio

January 10, 2021 by

É muito difícil acreditar que de fato Renato tenha “motivos científicos” para não ter escalado quatro titulares nessa partida. É difícil acreditar que os “dados científicos” sejam os mesmos para quatro jogadores de posições e idades distintas.

Sigo achando que o clube adota uma política equivocada na forma como administra a utiliza titulares e reservas no Campeonato Brasileiro. Ao anunciar com tanta antecedência a ausência de atletas, o clube acaba (ainda que inadvertidamente) passando uma ideia de desmobilização que acaba sendo (ainda que inconscientemente) captado por diversos envolvidos, como torcedores, imprensa, arbitragem e até mesmo os próprios atletas.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Fortaleza 0x0 Grêmio

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FORTALEZA: Felipe Alves; Gabriel Dias, Paulão, Wanderson e Carlinhos; Ronald (Derley, 47’/2ºT) e Felipe; Romarinho, João Paulo (Yuri César, 21’/2ºT) e Osvaldo (Bruno Melo, 34’/2ºT); Wellington Paulista (Igor Torres, 47’/2ºT)
Técnico: Enderson Moreira

GRÊMIO: Paulo Victor; Victor Ferraz, Paulo Miranda, Rodrigues e Cortez; Lucas Silva (Darlan, 20’/2ºT) e Matheus Henrique; Alisson, Pinares (Thaciano, 20’/2ºT) e Pepê; Diego Churín (Ferreira, 33’/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

29ª Rodada – Campeonato Brasileiro 2020
Data: 09 de janeiro de 2021, sábado, 21h00min
Local: Arena Castelão, Fortaleza (CE)
Árbitro: Jefferson Ferreira de Moraes (GO)
Assistentes: Leone Carvalho Rocha (GO) e Cristhian Passos Sorence (GO)
VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE)
Cartões amarelos: Derley, João Paulo, Felipe e Wellington Paulista (Fortaleza); Lucas Silva e Paulo Miranda (Grêmio)

Brasileirão 1973 – Fortaleza 0x1 Grêmio

January 8, 2021 by

Carlinhos é quem ameaça o goleiro Lulinha, em lance que até parece o golo marcado pelo ponteiro gremista” (Correio do Povo, 17 de janeiro de 1974)

 

O primeiro confronto da história entre Fortaleza e Grêmio aconteceu no estádio Castelão, numa situação muito semelhante com a de agora. Um jogo disputado em janeiro, válido pelo campeonato brasileiro do ano anterior.

Lendo a matéria do Correio do Povo transcrita abaixo eu fico me perguntando por que nunca ficou definido que GOLO é a única grafia correta.

 


 

“REABILITAÇÃO GREMISTA COM GOLO DE CARLINHOS

FORTALEZA (João Carlos Belmonte, enviado especial) — O Grêmio, fazendo excelente apresentação, se recuperou totalmente da sua estréia na semifinal do Campeonato Nacional, ganhando do Fortaleza, ontem à noite no Castelão, por 1 a 0 — gol de Carlinhos no segundo tempo.

Depois de enfrentar muitos problemas para a formação do seu time, o Grêmio, na noite de ontem, conseguiu a escalação de uma das suas melhores formações (com Tarciso principalmente) sobrando chance inclusive para que Mazinho, ainda sem sua melhor forma, fosse poupado pois Humberto Ramos, que domingo só entrou no segundo tempo, tinha melhores condições. E desde o início o Grêmio mostrou que poderia repetir as suas boas partidas da fase de classificação, usando muito bem as deficiências do time adversário e desde cedo criando oportunidades para marcar. Aos 16 minutos, Tarciso, com um trabalho muito bom, já conseguia um bom chute, que bateria na trave para salvar o Fortaleza do primeiro gol, depois de boa jogada de combinação do ataque do Grêmio com lançamento para o seu ponta-de-lança. O primeiro tempo terminou com zero a zero mas o Grêmio, por tudo que conseguiu fazer, merecia melhor sorte desde a etapa inicial de partida. O pequeno goleiro Lulinha, durante os primeiros 45 minutos, foi bastante exigido.

Para chegar a esta boa atuação, o Grêmio contou com um trabalho muito bom de seu meio-campo, principalmente de Paulo Sérgio. A defesa estava segura, e os laterais, principalmente Claudio, tinham muita liberdade para subir ao apoio. A partir do meio-campo, depois de um trabalho certo de marcação de Zé Carlos e Zé Roberto, Paulo Sérgio tinha muita categoria para fazer lançamentos, aproveitando-se muito bem, do espaço que a defesa do Fortaleza deixava, alegadamente porque Wilson, que não jogava há muito tempo, não fazia o trabalho normal de Queirós, segundo o seu técnico e alguns de seus jogadores, muito mais acostumado a jogar ao lado de Pedro Basílio. Este espaço no lado esquerdo da defesa do Fortaleza sempre foi muito bem aproveitado pelo Grêmio, principalmente por Paulo Sérgio.

No segundo tempo, sem fazer nenhuma alteração no começo, o Grêmio continuou apertando o ritmo, criando situações e aos 19 minutos, numa excepcional jogada de Paulo Sérgio, Carlinhos marcou o golo da vitória. Paulo Sérgio, avançando ao sentir o espaço deixado pelo quarto zagueiro, tocou certo para Carlinhos. Ele partiu muito bem e, na saída do goleiro, tocou por cima, com categoria. A bola entrou mansamente no 1 a 0 do Grêmio.

Exatamente no memento do golo, Froner já tratava de colocar Mazinho no lugar de Humberto Ramos, já cansado. E. o Grêmio, depois do golo, ainda teve outras oportunidades muito boas — Tarciso, em jogada de Paulo Sérgio, obrigou Lulinha a uma defesa muito difícil. E Carlinhos, que fez o golo da vitória, ainda teve duas oportunidades excelentes, talvez melhores do que aquela que terminou no golo, semente perdendo porque já estava cansado para apanhar lançamentos tão bons como fazia Paulo Sérgio.

A segunda modificação do time do Grêmio visou apenas segurar um pouco mais a principal jogada do Fortaleza, no apoio de Louro. Bolívar entrou no lugar de Loivo e com isso o Grêmio protegeu melhor o lado esquerdo de sua defesa, muito atacado pelas subidas de Louro em combinação com Amilton Rocha.

O Fortaleza, entretanto, reagiu um pouco no final, mas a última boa chance do jogo foi do Grêmio. Outra vez Paulo Sérgio fez grande lançamento, Carlinhos partiu livre mas cansado, perdendo a bola quase na linha de fundo.” (João Carlos Belmonte, Correio do Povo, quinta-feira, 17 de janeiro de 1974)

“GRÊMIO             1
FORTALEZA        0

FORTALEZA (Do correspondente Egídio Serpa) — O Grêmio conseguiu arrancar uma Importante vitória, pelo diminuto placar de 1 a 0, ao Fortaleza, na noite de ontem, no Estádio Plácido Castelo, numa partida multo disputada e com bastante equilíbrio na primeira fase. O gol único foi assinalado por Carlinhos, para os gaúchos, aos 19 minutos do segundo tempo. O juiz foi Romualdo Arpi Filho, auxiliado por Sílvio Silveira e Bartolomeu Lordelo.” (Egídio Serpa , Jornal dos Sports, quinta-feira, 17 de janeiro de 1974)


 

FORTALEZA: Lulinha; Louro, Pedro Basílio, Wilkson e Bauer; Zé Carlos e Zé Roberto; Hamilton Rocha, Hamilton Melo (Lucinho), Marciano e Reginaldo (Beijoca)
Técnico: Mozart Gomes

GRÊMIO: Picasso; Cláudio, Ancheta, Renato Cogo e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Humberto Ramos (Mazinho) e Paulo Sérgio; Carlinhos, Tarciso e Loivo (Bolívar)
Técnico: Carlos Froner

Campeonato Brasileiro 1973 – Terceira Fase – 2ª Rodada
Data: 16 de janeiro de 1974, quarta-feira
Local: Estádio Castelão, em Fortaleza, CE
Público: 14.194
Renda: Cr$ 101.578,00
Árbitro: Romualdo Arpi Filho
Auxiliares: Sílvio Silveira e Bartolomeu Lordelo
Gol: Carlinhos aos 20 minutos do segundo tempo.