Brasileirão 1973 – Grêmio 1×0 Santos – O último jogo de Pelé no Olímpico

April 25, 2019 by
Brasileirao 1973 Gremio 1x0 Santos edu renato cogo ancheta cp b

Foto: Correio do Povo

Em jogo válido pelo Brasileirão de 1973, mas disputado em janeiro de 1974, Pelé fez seu último jogo no Estádio Olímpico.

E o Grêmio ganhou por 1×0, com um gol de Carlinhos, já nos acréscimos do segundo tempo.

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SENSACIONAL VITÓRIA DO GRÊMIO

O Grêmio precisava da vitória para aspirar a uma classificação ou continuar lutando por ela. O importante golo de Carlinhos, no fim do jogo, confirmou a melhor exibição gremista, principalmente no segundo tempo. O Santos veio a Porto Alegre com Pelé (que não jogou bem) e uma das melhores campanhas na fase semifinal do campeonato nacional.

Exatamente por isso o técnico Carlos Froner cuidou, inicialmente, de brecar o início das jogadas na meia-cancha do Santos, que tinha o recuo de Pelé. Assim Froner deixou Carlinhos na reserva e colocou Humberto Ramos como falso ponteiro-direito. Fixo na ponta, o jogador mais habilidoso do ataque gremista, ficou, praticamente sem função, pois nunca teve um companheiro para dar continuidade às jogadas. O Santos começou dando um susto no Grêmio quando Mazinho, batendo Jorge Tabajara e cruzando forte, fez Beto, na tentativa de rebater, atirar no poste direito de Picasso. Depois Humberto Ramos foi liberado da função de jogar na ponta e passou a acionar pelo meio e o Grêmio cresceu de produção.

A melhor oportunidade do primeiro tempo foi um escanteio que Loivo cobrou certo para, Mazinho cabecear no travessão, com o goleiro Cejas saltando tarde, e por isso batida totalmente no lance. Pelé adiantado começou a voltar para buscar o jogo que não chegava até ele, e Edu foi marcado por Renato Cogo. Assim o primeiro tempo terminou zero a zero.

SEGUNDO TEMPO
No segundo tempo, o Grêmio cresceu muito de produção e dominou o Santos que passou a contar com o recuo de Pelé e a penetração de Brecha, meia-cancha, como ponta-de-lança. Sentindo a pressão gremista o Santos passou a tocar a bola e a demorar na cobrança de faltas ou laterais, com a clara intenção de fazer o tempo passar, uma vez que o empate seria bom. O treinador Pepe só não contava com a entrada de Carlinhos no lugar de Humberto Ramos. Aí Mazinho fez a função de Humberto e o Grêmio teve a formação mais racional, a que realmente mostrou um time melhor que o Santos e com vontade de ganhar. A primeira grande oportunidade do segundo tempo foi um chute de Tarciso que bateu nos dois postes do goleiro Cejas. Cada vez mais aumentava a pressão gremista e o Santos só teve um grande lance, que Nenê desperdiçou depois de receber ótimo passe de Pelé. Antes Brecha fora lançado pelo mesmo jogador e, livre, arremessou para fora.

E quando parecia que o jogo terminaria mesmo empatado, Carlinhos foi recompensado por sua grande atuação e por ter mudado a feição do jogo. Ele recebeu de C. Alberto, que estava na linha de escanteio, caiu pela meia direita e arrematou em curva com o pé esquerdo, 30 segundos além do tempo regulamentar. A bola ainda raspou em Nenê e encobriu o goleiro Cejas, para estabelecer a mais importante vitória gremista na fase semifinal.” (Correio do Povo, terça-feira, 29 de janeiro de 1974)

 

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Ruy Carlos Ostermann – Correio do Povo, terça-feira, 29 de janeiro de 1974

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SANTOS CONFIAVA NO EMPATE, O GRÊMIO MARCOU E GANHOU

O Santos não conseguiu dominar e vencer o Grêmio. Como o jogo estava terminando, preferiu optar pelo empate. Mas acabou sendo surpreendido por um gol de Carlinhos nos segundos finais e teve que se conformar com uma derrota inesperada, principalmente pela maneira como vinha jogando ultimamente O favoritismo não adiantou nada.

Os problemas internos que existem no Grêmio são os mesmos que existiam quando, nas eliminatórias, sofreu a goleada de 4 a 0 para o Santos no Pacaembu. Foi o último jogo entre os dois. Acontece que naquele tempo nada transparecia, muito pelo contrário, a imagem do time gaúcho era a mais tranquila possível e todos o apontavam como um exemplo de disciplina dentro e fora do campo.

Hoje a situação é outra, Oberti vendido para o Old Boys da Argentina, depois de acusado pelo técnico Carlos Fronner de jogar dopado, revelou que a situação interna do Grêmio não é o que se dizia mas muito pelo contrário: o ambiente é dos piores, com todo tipo de brigas e interferências no trabalho dos jogadores, técnico, e demais áreas administrativas.

Talvez seja por isto que o jogo de ontem foi tão ruim O Grêmio, para não sofrer nova goleada, e desta ver com repercussão pior ainda, por se tratar do jogo em Porto Alegre, começou na retranca. O Santos, por sua vez, não estava em grande dia. Pelé, que ultimamente tem se cansado de mostrar que continua o melhor jogador do mundo, acompanhou o baixo rendimento do time. Em outras palavras, não fez nada a não ser trocar passes e fazer uns poucos lançamentos visando principalmente a esquerda, na esperança de que Edu fizesse alguma coisa.

O jogo foi se desenrolando assim monótono para a decepção da torcida. No segundo tempo a situação continuava a mesma, com apenas uma diferença: Carlinhos e Tarciso, antes isolados no ataque, ganharam mais um companheiro: o ponta-esquerda Loivo que recebeu ordens para avançar também. Mas só nos momentos de contra-golpes.

O jogo ficou um pouco mais movimentado, Carlinhos, o mais perigoso, passou a jogar mais livre de marcação, pois agora a defesa santista tinha que dividir a atenção pelas duas extremas. Contra-atacando assim, o gol surgiu. Foi muito mais por unta questão de sorte, do que por bom futebol. Aos 45 minutos, quando as esperanças tinham sido abandonadas, Carlinhos, recebeu a bola de Marinho pelo meio e venceu Cejas saiu bem, mas foi enganado com um toque pelo alto e o Grêmio ganhou o jogo. Foi uma vitória apagada onde as boas atuações foram totalmente individuais. Como a de Carlinhos que voltou muito bem, e esforçou-se o tempo todo contra uma das mais respeitadas defesas do país.

No Santos pode ser destacada a atuação do Mazinho e de Clodoaldo, um lutador incansável. Cejas não pode ser culpado pelo gol pois nada podia fazer. Durante o jogo não teve, como Picasso, momentos de grande perigo. Carlos Alberto também esteve bem, apesar de vir de três jogos parado devido à suspensão pelas ofensas ao juiz Carlos Costa numa briga com Cejas.” (Folha de São Paulo, segunda-feira, 28 de janeiro de 1974)

tabela

GRÊMIO VENCE SANTOS NO FINAL

Porto Alegre (Sucursal) — A torcida do Grêmio já estava saindo do Estádio Olímpico, consolada com um empate frente no Santos, quando 30 segundos além do tempo regulamentar Carlinhos chutou forte, a bola bateu em Zé Carlos e foi para as redes sem chance para Cejas, garantindo a vitória do time gaúcho por 1 a 0.

Um grande público assistiu à partida entusiasmado com a possibilidade de ver Pelé, mas o jogador não repetiu suas boas atuações, devido à dura marcação que recebeu da defesa do Grêmio e principalmente de Carlos Alberto que lhe perseguiu por todo o campo. A renda, surpreendente, pois o estádio praticamente lotou, foi de Cr$ 272 mil 768. O juiz Luis Carlos Félix teve uma boa atuação.

Erro do Grêmio

O Grêmio atuou com Picasso, Renato, Ancheta, Beto e Jorge Tabajara, Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Mazinho, Humberto Ramos (Carlinhos), Tarciso e Loivo.

O Santos teve Cejas, Carlos Alberto, Marinho, Vicente e Zé Carlos, Clodoaldo, Brecha (Léo) e Nené, Marinho, Pelé e Edu. O Santos começou a partida muito bem, aproveitando as deficiências táticas do Grêmio, já que o técnico Carlos Froner deixou Carlinhos na reserva, preferindo escalar na sua posição o meia Humberto Ramos, que acabou perdido entre a ponta e o meio-campo. Aos 6 minutos, o time paulista perdeu unia boa chance quando Mazinho cruzou forte e Ancheta, na ânsia de defender, acabou mandando a bola na trave, para defesa posterior de Picasso.

Aos 10 minutos, num contra-ataque, o Grêmio por pouco não surpreendeu o Santos, mas Humberto Ramos chutou muito alto, apesar de só ter Cejas pela frente. Mais tarde, vendo o erro tático, Carlos Froner mandou que Mazinho se deslocasse para a ponta e Humberto Ramos voltasse para o meio-campo. A partida ficou mais equilibrada, apesar dos defeitos no ataque. O time gaúcho manteve-se firme na defesa, vigiando incessantemente todos os passos de Pelé. E contendo os pontos de qualquer maneira.

Mazinho, aos 32 minutos, quase colocou o Grêmio em vantagem. Ele escorou um escanteio bem cobrado por Loivo e cabeceou forte, mas a bola acabou batendo na trave e foi para fora.

Santos melhor

Prendendo a bola no meio-campo e esfriando os ataques do Grêmio, o Santos começou melhor o segundo tempo. Aos 10 minutos, a melhor jogada de Pelé: ele recebeu a bola de Clodoaldo e lançou Brecha, que correu sozinho para a área do Grémio e acabou chutando para fora.

Em seguida, o técnico do Grêmio fez a substituição de Humberto Ramos por Carlinhos, que acabou mudando todo o esquema tático da equipe, passando a explorar as jogadas pela ponta-direita. O Santos, sentindo a pressão e o apoio cia torcida ao time gaúcho, passou a catimbar o jogo. Aos 24 minutos, Tarciso realizou duas boas jogadas: na primeira, tentou encobrir Cejas e o goleiro defendeu; na segunda, chutou de fora da área, sendo que a bola bateu na. trave direita, correu na risca do gol e bateu na esquerda, terminando nas mãos do goleiro.

O ritmo de jogo do Grêmio no final foi impressionante, mas a torcida já eslava deixando o Estádio Olímpico quando aconteceu o gol. O lance começou com uma cobrança de escanteio por Loivo. Houve confusão na área e Carlinhos, de pé esquerdo, chutou forte, sendo que a bola foi para as redes depois de bater em Zé Carlos, enganando Cejas. Passavam 30 segundos do tempo regulamentar e o Grémio então, com a vitória, começava a sair da crise interna e a ter novamente esperanças na classificação.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 28 de janeiro de 1974)

colocaçoes

Brasileirao 1973 Gremio 1x0 Santos ingressos

GRÊMIO: Picasso: Renato Cogo, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Carlos Alberto, Paulo Sérgio e Humberto Ramos (Carlinhos); Tarciso, Mazinho e Loivo
Técnico: Carlos Froner

SANTOS: Cejas; Carlos Alberto Torres, Marinho Perez, Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo e Brecha (Léo); Mazinho, Nenê, Pelé e Edu
Técnico: Pepe

Data: 27 de janeiro de 1974, domingo, 18h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 262.763,00
Juiz: Luís Carlos Félix
Auxiliares: Eraldo Palmerini e Rubens Carvalho

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Libertadores 2019 – Libertad 0x2 Grêmio

April 24, 2019 by

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2019 Libertad Fora Dado Moura GE2019 Libertad Fora Dado Moura GE 2Gremio x Libertad

Pode ter não ter sido uma atuação brilhante, mas o Grêmio fez uma partida bastante segura e mereceu a vitória no Paraguai. Everton, mais uma vez, fez a diferença.

Impressiona a diferença de disposição/concentração desse jogo em comparação com a partida da segunda rodada em Porto Alegre.

Gremio x Libertad
2019 Libertad Guma

Fotos: Diego Peralbo (ABC Color), Eduardo Moura (Globo Esporte), Lucas Uebel (Grêmio.net) e Club Libertad

Libertad 0x2 Grêmio

LIBERTAD: Martín Silva; Iván Piris, Luis Cardozo, José Canale e Ángel Lucena (Jorge Recalde, aos 18’/2°T); Cristian Riveros (Alan Benítez, aos 34’/2°T), Alexander Mejía, Mathías Espinoza, Antonio Bareiro e Edgar Benítez; Óscar Cardozo
Técnico: José Chamot

GRÊMIO: Paulo Victor; Leonardo Gomes, Geromel, Kannemann e Bruno Cortez; Matheus Henrique, Maicon (Michel, intervalo), Alisson (Pepê, aos 33/2°T), Jean Pyerre, e Everton; André (Diego Tardelli, aos 31/2°T)
Técnico: Renato Portaluppi

Libertadores 2019 – Grupo H – 5ª Rodada
Data: 23 de abril de 2019, terça-feira, 19h15min
Local: Estádio Defensores Del Chaco, em Assunção-PAR
Árbitro: Alexis Herrera (VEN)
Assistentes: Jorge Urrego (VEN) e Tulio Moreno (VEN)
Cartões amarelos: Ángel Cardozo, Edgar Benítez, Luis Cardozo, Recalde, Matheus Henrique, André, Jean Pyerre
Gols: Everton, aos 27 minutos do primeiro tempo e 38 minutos do segundo tempo

Gauchão 2019 – Grêmio 0x0 Inter (Grêmio 3×2 nos pênaltis)

April 22, 2019 by

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Foi um Gre-Nal típico. Pegado, tenso, discutido, com poucas oportunidades. Odair Hellmann escalou Pottker para ajudar a fechar o lado direito da sua defesa, e assim tratou de esperar o Grêmio. E o tricolor tinha a iniciativa, mas só ameaçava em chutes de fora da área e eventuais arrancadas de Everton.  O jogo foi desenvolvendo dessa forma (com eventuais situações de bola parada) até os 26 minutos do segundo tempo, quando Cortez caiu na área após ter seu calção puxado por Guilherme Parede.  A penalidade foi marcada, houve muita catimba e Lomba defendeu a cobrança de André. Esse lance alterou a dinâmica da partida. O Grêmio sentiu e o Inter se animou, mas 0x0 não saiu do placar. Nos pênaltis, Paulo Victor defendeu três das cinco cobranças coloradas e garantiu a permanência do (horroroso) troféu na Arena.

O pênalti foi bem marcado. Puxar o calção é falta. A regra fala em infração quando o jogador “segurar (agarrar) um adversário”. Não há qualquer referência a intensidade/força do puxão. É óbvio que o pênalti só foi marcado porque havia o recurso do VAR.  E realmente parece que o VAR irá mudar a forma como os jogadores atuam na defesa.

 

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Esse foi o maior público pagante de uma final de Campeonato Gaúcho com mando do Grêmio  desde 1989.

– Média de público do Grêmio na Arena na temporada:
23.342 (21.213 pagantes)

– Média de público do Grêmio no Gauchão em 2019:
21.502 (19.437 pagantes)

– Média de Público de todos Gre-Nais disputados na Arena:
44.844 (41.647 pagantes)

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Fotos: Eduardo Moura e Eduardo Deconto (Globo Esporte), Ricardo Duarte (S.C. Internacional)

Grêmio 0x0 Inter

GRÊMIO: Paulo Victor; Leonardo Gomes, Geromel, Kannemann e Cortez; Maicon (Michel, 35’/2ºT), Matheus Henrique, Alisson (Diego Tardelli, 38’/2ºT), Jean Pyerre (Luan, 15’/2ºT) e Everton; André
Técnico: Renato Portaluppi

INTER: Marcelo Lomba; Zeca (Camilo, 38’/2ºT), Rodrigo Moledo, Cuesta e Iago (Rafael Sobis, 52’/2ºT); Rodrigo Dourado, Edenilson, Patrick, Pottker (Parede/int.) e Nico López; Paolo Guerrero
Técnico: Odair Hellmann

Gauchão 2019 – Final – Jogo de volta
Data: 17 de abril de 2019, quarta-feira, 21h30min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre
Público: 51.003 (47.759 pagantes)
Renda: R$ 2.960.606,00
Árbitro: Jean Pierre Lima
Auxiliares: Rafael da Silva Alves e Lúcio Flor
Cartões amarelos: Kannemann, Michel; Cuesta, Rafael Sobis, Patrick, Pottker, Parede, Guerrero
Cartão vermelho: D’Alessandro (no banco de reservas)
Disputa de Pênaltis: Camilo (errou), Tardelli (converteu), Sobis (converteu), Everton (errou), Guerrero (converteu), Matheus Henrique (converteu), Cuesta (errou), Michel (errou), Nico Lopez (errou) e André (converteu)

Médias de públicos de finais do Gauchão com mando do Grêmio

April 17, 2019 by

finais gremio

Fiz um levantamento dos públicos das finais do Gauchão da década de 90 para cá. Na semana passada publiquei a média de público nas finais com mando do Inter. Hoje publico as médias das finais com mando tricolor, que é de 34.868 pagantes.

Vale lembrar que em 1990, 1993 e 1994 a fórmula de disputa não previa uma final. Em alguns anos a final envolvia uma melhor de três jogos, casos em que eu só considerei um jogo por mandante.

Isolando apenas as finais com Gre-Nais, a média de público em finais com mando do Grêmio é de 35.939.

finais grenal gremio

Gauchão 2019 – Inter 0x0 Grêmio

April 15, 2019 by

Grenal 419

O Gre-nal do jogo de ida da final do Gauchão 2019 foi um jogo relativamente aberto (para os padrões do clássico). O Grêmio foi um pouco melhor do início até mais ou menos a metade do primeiro tempo e o Inter conseguiu um maior domínio no segundo, mas nenhuma das equipes teve brilho/capricho para aproveitar esses períodos de superioridade.

Assim como aconteceu nos Gre-Nais jogados no Beira-Rio no ano passado, o Grêmio usou a meia do uniforme  azul de goleiro da temporada 2017.

O público desse domingo foi o segundo maior das finais de Gauchão com mando do Inter nos últimos 29 anos.

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Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net), Itamar Aguiar (Terra)

Inter 0x0 Grêmio

INTER: Marcelo Lomba; Zeca, Moledo, Cuesta e Iago; Rithely (Rodrigo Lindoso, 18/2ºT); Edenilson, Patrick, D’Alessandro (Parede, 22/2ºT) e Nico López; Guerrero (Rafael Sobis, 40/2ºT).
Técnico: Odair Hellmann

GRÊMIO: Paulo Victor; Leonardo Gomes, Geromel, Kannemann e Cortez; Matheus Henrique e Maicon (Michel, 19/2ºT); Alisson (Diego Tardelli, 26/2ºT), Jean Pyerre e Everton; André (Pepê, 42/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

Gauchão 2019 – Final – Jogo de ida
Data: 14 de abril de 2019, domingo, 16h00min
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Público: 45.209 (40.567 pagantes)
Renda: R$ 2.332.686,00
Arbitro: Leandro Vuanden,
Auxiliares: Elio Nepomuceno Junior e José Eduardo Cauza
Cartões amarelos: Iago, Lindoso, Nico López, Sobis; Michel e André (G)

Gauchão 1979 – Octagonal final – Inter 1×2 Grêmio

April 14, 2019 by
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Foto: Olivio Lamas (Placar)

Com essa vitória por 2×1 no Beira-Rio o Grêmio encaminhou o título do Gauchão de 1979.

Duas curiosidades:
– A diretoria colorada franqueou a entrada para qualquer torcedor que estivesse usando uma camisa vermelha ou portasse uma bandeira do Inter.

– O VT do jogo foi exibido a noite pela TV Guaíba (que havia sido inaugurada naquele ano).

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Foto: Correio do Povo

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Fotos: Correio do Povo

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Foto: Correio do Povo

GRÊMIO, MODÉSTIA A PARTE
Com cinco pontos ganhos à frente do Inter, o time de Paulo César está a um passo do título. Basta, apenas, que mantenha a regularidade do campeonato. Em 45 jogos do campeonato, apenas nove pontos perdidos.

A palavra mais ouvida no vestiário do Grêmio, após a vitória sobre o Inter: humildade. Quem se arriscava a falar em título já ganho recebia logo severos olhares de advertência. E, se era assim, convenhamos, não falta mais nada. Só uma hecatombe (como a de 1961, quando o Inter, com seis pontos na frente e três jogos a disputar, acabou entregando o ouro) pode melar a festa final do Grêmio.

São cinco pontos sobre o Inter, sete jogos a disputar — os do returno do octogonal, e o Grêmio mostra o time mais humilde e justamente o mais bem armado, orientado e guerreiro. Como se viu neste domingo, no Beira-Rio. Considerando que em dois turnos (38 partidas) mais sete jogos do turno inicial do octogonal, o Grêmio perdeu apenas nove pontos, o prognóstico é óbvio: ao Inter, não restam mais de 10% de esperanças matemáticas.

Sem contar com Falcão para o Gre-Nal, Zé Duarte preferiu uma formação que — podia se apostar — abriria um buraco no meio-campo. Zé dizia que precisava ganhar, por isso, arriscava com um time ofensivo. Respeitável. Só que Fantôni, que é malandro velho, preferiu manter sua estratégia de esperar atrás para ver no que dava — inclusive com o anão-guerrilheiro Jurandir, que só entra para marcar Falcão. Não deu outra. Em 12 minutos, o jogo estava liquidado. Fixado na idéia de atacar, o Inter esqueceu de cadenciar e perdeu no meio-campo, descuidou-se atrás e tomou dois gols.

E daí, pra virar? Sabe-se que isso é difícil. Ainda mais quando, do outro lado, segurando os mais entusiasmados, só soltando o time na certa, calculando tudo, está uma raposa como Paulo Cé-sar. Que bem merecia, para coroar sua atuação, ter marcado o terceiro numa de suas escapadas.

Depois do gol de Jurandir, pegando um rebote, e do de Baltazar, que escapou livre, foi esse o trabalho do Grêmio: 78 minutos de tensa porém segura contenção. Uma grande partida do time que em 45 jogos do campeonato não cansou de demonstrar que é o mais bem armado. Para o Inter, que conseguiu o seu golzinho nos descontos, fica o consolo de ter jogado sem três titulares importantes, entre eles Falcão. Eu disse consolo? Me enganei. Não há o que console uma torcida que perde o campeonato e, além de tudo, vê seu time disputando o segundo lugar com o São Paulo.” (Divino Fonseca, Revista Placar, Edição n.º 488, 31 de agosto de 1979)

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Fonte: Correio do Povo

GRÊMIO ESTÁ CADA VEZ MAIS PRÓXIMO DO TÍTULO

Com a vitória do último domingo, o Grêmio é o virtual campeão de 1979. Ganhando do Internacional por dois a um, depois de vencer até quase o final por dois a zero, o Grêmio aumentou a distância que o separa do Internacional. Os cinco pontos de vantagem dão ao Grêmio condições de conseguir o título por antecipação duas rodadas antes do dia 20 de setembro, data do próximo Gre-Nal.

Os golos da merecida vitória gremista foram marcados por Jurandir e Baltazar, no primeiro tempo e Chico Espina, anotou para o Internacional.

O árbitro Carlos Martins teve uma excelente atuação no Gre-Nal, bem auxiliado por Justimiano Goularte e Hermínio Goulart. A renda chegou perto dos três milhões de cruzeiros.

No final da partida a torcida do Grêmio comemorou vivamente o resultado, e dirigentes e jogadores foram até a beira do campo para saudar os torcedores. Os jogadores Baltazar e Jurandir foram os mais aplaudidos e o vice-presidente Fernando Zacouteguy, entusiasmado, sugeriu que os torcedores colocassem as faixas.

A VITÓRIA

O entusiasmo de Zacouteguy era perfeitamente compreensível, pois o Grêmio jogou uma grande partida e taticamente surpreendeu ao Internacional. Zé Duarte esperava, um Grêmio retrancado e foi exatamente o contrário, logo nos primeiros minutos de Gre-Nal. O Grêmio tomou a iniciativa e partiu para cima do Internacional tentando fazer o primeiro golo. E não demorou muito para conseguir. Aos sete minutos houve falta em Tarciso e Paulo César e Éder ficaram em posição de cobrar. Éder veio de longe e disparou um chute forte que Benitez não segurou firme. A defesa do Internacional estava desatenta ao rebote mas Jurandir, bem colocado, não perdeu a oportunidade e atirou para marcar.

Um golo tão, cedo só poderia causar um forte impacto psicológico no Inter e, antes mesmo que o time tivesse oportunidade de se recompor em campo, o Grêmio já estava fazendo dois a zero. Larri dominou bola na saída de área e ao tentar dar um passe para Batista entregou para Jurandir que trocou passes com Baltazar. O centroavante escapou, venceu a Larri e Batista, entrou na área e na saída do geleiro Benitez desviou com o pé esquerdo. Daí para diante o Grêmio não chutou mais a golo e o Inter teve domínio territorial. Mas a oportunidade só veio numa falta cobrada por Jair, de longa distância, que Manga, em excelente defesa, atirou para fora.

A CONFIRMAÇÃO

Zé Duarte atendeu o apelo da torcida e colocou Borracha no time. Sacou Mário e adiantou Adilson. Quando parecia eminente o crescimento do time do Internacional com a entrada de Borracha Adilson teve torção de tornozelo, depois de atirar uma bola no poste direito de Manga. A entrada de Washinton, pouco acrescentou ao time e aos poucos o Grêmio foi mandando mais e mais na partida.

Apertando a marcação no meio de campo e utilizando Baltazar para o contra-ataque, o Grêmio foi um time perigoso e bem organizado contra um adversário nervoso, desorganizado e pouco inspirado no ataque. Orlando Fantoni usou apenas uma substituição, retirando Éder e colocando Jésum para reter mais a bola no ataque. Aos 45 minutos Tonho driblou dois jogadores do Grêmio e a bola sobrou para Chico Espina chutar de longe e fazer o golo do Inter. A tentativa de reação veio tarde e o Grêmio ganhou com justiça.” (Correio do Povo, terça-feira, 28 de agosto de 1979)

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FIM DE CAMPEONATO – Lasier Martins

A questão inicial do Terceiro Tempo de ontem foi se o campeonato estaria terminado ou não. E por 9×3 a Equipe da Guaíba respondeu que sim. Belmonte, Samuel, Joabel, Cagliari, Érico, Ibsen, Élio, Edgar e este colunista afirmaram que o Grêmio já é campeão gaúcho de 79. Ranzolin, Lauro e Milton foram os votos dissidentes.

O Grêmio fez por merecer o título, porque se determinou a ganhá-lo com mais acertos que erros. Deflagrou unia mobilização geral desde o início do ano, que contagiou desde o pedreiro do Olímpico Total ao ponta-esquerda do time. Basta ver a prova: os operários da construção civil fizeram apenas meia greve nas obras do Olímpico e o Éder do Gre-Nal foi um operário no time. Em meio a estes extremos trabalharam seriamente dirigentes, torcida e outros. O Departamento Médico foi eficiente nas curas rápidas de seus pacientes, o departamento de futebol exigiu disciplina em campo e o departamento jurídico sempre foi diligente para evitar punições pesadas aos raros infratores. O Grêmio cuidou de tudo e de todos. Por isso e merecidamente, ainda muito cedo ganhou o campeonato regional e tende a distanciar-se ainda mais do segundo colocado.

A própria regularidade dos disputantes do título autoriza a lógica do maior distanciamento. O Inter continua esfacelado como time e o returno terá a fórmula de um torneio: curto e atropelado. Em três semanas estará terminado e nesse tempo não haverá condições para reviravoltas. Acreditar que o Grêmio perca cinco pontos e o Internacional nenhum até o final é acreditar em história da carochinha.

Abstraído o aspecto estatístico do campeonato, ressalta maliciosa prevenção da Federação contra o Internacional. No primeiro turno o clube jogou apenas em um domingo em seu estádio e no returno novamente só terá um jogo naquele dia mais favorável a boa arrecadação. No total do octogonal o Inter terá jogado duas vezes em domingos e o Grêmio cinco. Mais uma derrota do Inter, só que esta no terreno político, onde neste ano perdeu todas para a mater.

O Inter começa a pensar na utilização de mais juvenis no restante do campeonato. Se não incidir nos mesmos excessos da famosa juvenilização da época do sr. Braga Gastal, poderá projetar novos craques. Entretanto, esta política impõe muita habilidade. O Inter é hoje um time derrotado e confiar seu reerguimento a jogadores inexperientes é uma temeridade. Conviria à direção no restante de sua gestão salvar o que ainda puder e evitar mais queimações”. (Lasier Martins – Correio do Povo, terça-feira, 28 de agosto de 1979)

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A GRANDE DIFERENÇA – Antônio Goulart

As atenções agora estão voltadas para a frente e todas as projeções apontam, como não poderia deixar de ser, o Grêmio como virtual campeão gaúcho de 1979. Mas o Gre-Nal não é jogo que se esgota em 24 horas. A ressaca emocional do clássico – como diria Nelson Rodrigues — perdura por mais tempo, dando validade também a considerações sob aspectos técnicos da partida.

Há alguns princípios que são imutáveis no futebol, como o de que a vitória está sempre mais próxima da equipe que se predispõe a atacar mais. E o Grêmio fez isso, pelo menos enquanto esteve interessado em construir um marcador que lhe garantisse o triunfo, o que durou menos de uma dúzia de minutos. Depois, manteve o jogo sob controle e o fez com a mais absoluta tranqüilidade e segurança, considerando o estado de ânimo que o clássico costuma despertar.

Ainda sob o ângulo ofensivo, o simples confronto dos dois setores que atuaram domingo no Beira-Rio já revela a grande diferença. De um lado um trio especialista — Tarciso, Baltazar e Éder — e que vem atuando há bastante tempo. Do outro, três que nunca haviam jogado juntos neste Octogonal – Jair, Mário e Chico Espina. Aqui, apenas dois com características nitidamente ofensivas, mas um deles é reserva. E, no segundo tempo, o centroavante foi substituído por um homem de armação, Washington. E era o Internacional que mais precisava da vitória. Mas não teve ataque para entrar com a bola uma vez sequer na área do Grémio.

Este foi o Gre-Nal de resultado mais lógico e indiscutível dos últimos tempos. Se o Grémio não optasse pela precaução, teria construído urna goleada. O Grêmio fez o jogo da determinação, da organização e do equilíbrio, técnico e emocional (nenhum cartão amarelo contra cinco do adversário, apenas um detalhe). Entrou em campo sabendo o que queria, organizou-se para esse objetivo e tratou de buscá-lo antes que o outro sequer tivesse despertado para a realidade.

O Internacional, é justo que se mencione, pagou tributo a uma situação de emergência: desfalque de três titulares, a perda de outro (Adilson) durante a partida e as condições precárias de Batista. Mas, diante do que vi em campo, não me arriscaria a dizer que o resultado seria muito diferente se a equipe estivesse completa. O time colorado foi tão flagrantemente inferior, que o próprio torcedor aceitou o resultado, conformado e triste, mas sem revolta ou qualquer tipo de contestação. Se reações houve, foi mais devido ás atuações deficientes de alguns jogadores, corno Hermes, Larri, Mário e Washington.

No confronto dos dois treinadores, Zé Duarte perdeu em tudo para Orlando Fantoni, dando a impressão de não haver se preparado convenientemente para um clássico que só conhecia de ouvir falar ou pela televisão. Enquanto o técnico estreante mandava a campo uma equipe sem muita convicção, mais na base do “vamos ver o que é que dá”, o outro se dava ao luxo de mover apenas numa peça, mas no ponto certo, considerando-se o que representava a partida. E com esta alteração (Jurandir), criou um novo repertório de jogadas, que funcionou tanto no sentido da construção, participando dos dois golos, como no sentido da destruição, impedindo que o adversário se armasse por aquele setor.

DOIS TOQUES – Teria sido o próprio transcorrer, do jogo, praticamente decidido logo aos 12 minutos, que determinou a boa atuação de Carlos Martins? Ou foi o árbitro que soube se impor e manter o controle de tudo? Acho que as duas coisas contribuíram. O que também não deixa de ser um elogio. * Conforme previ aqui, aumentaram o preço dos ingressos e sobrou espaço nas arquibancadas, e a renda ficou muito aquém do esperado. Prejuízo para os clubes e para o torcedor”. (Antônio Goulart – Correio do Povo, terça-feira, 28 de agosto de 1979)

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Foto: Correio do Povo

INTER: Benitez; Hermes, Mauro, Larry e Bereta, Batista, Tonho e Adilson, (Washington); Jair, Mário (Borracha) e Chico Espina.
Técnico: Zé Duarte

GRÊMIO: Manga; Vilson, Ancheta, Vantuir, Dirceu; Vitor Hugo, Jurandir e Paulo César Caju; Tarciso, Baltazar e Éder Aleixo (Jesum)
Técnico: Orlando Fantoni

Data: 26 de agosto de 1979, domingo
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 2.491.760,00
Árbitro: Carlos Martins
Assistentes: Herminio Goulart e Justiimiano Goularte
Cartões Amarelos: Larri, Batista, Adilson e Mario

Gauchão 1999 – Final – 1º Jogo – Inter 1×0 Grêmio

April 14, 2019 by
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Foto: Julio Cordeiro (Zero Hora)

No primeiro jogo (dos três) das finais do Gauchão de 1999, o Inter largou com uma vitória no Beira-Rio graças ao gol do zagueiro Gonçalves.

Por falar em zagueiro é válido ressaltar que os dois times zaatuaram no 3-5-2.

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Foto: Sílvio Avila (Zero Hora)

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Foto: Sílvio Avila (Zero Hora)

“VENCEU QUEM QUIS JOGAR

O Gre-Nal vencido pelo Inter por 1 a O, ontem à tarde, não foi o jogo do Grêmio contra o Inter Foi o jogo do Inter. O Inter foi o protagonista da partida. O Grêmio entrou em campo como discreto coadjuvante. Condição, por sinal, proposta pelo próprio Grêmio, que foi ao Beira-Rio com um esquema tático retrancado com o qual jamais jogou ou sequer treinou.

O técnico gremista, Celso Roth, escalou o time com três zagueiros, Ronaldo Alves, Scheidt e Eder. Um deles, Éder, com a missão exclusiva de marcar Fabiano. Não foi mal Eder, mas, como estava sempre no mano-a-mano com o ponteiro colorado, enfrentou dificuldades oceânicas. Fabiano foi o melhor atacante do Inter e, quando substituído por Almir, no segundo tempo, saiu sob o brado da torcida:
– Uh. Fabiano! Uh. Fabiano!

Christian também não jogou mal, embora tenha colidido com a eficiente marcação de Ronaldo Alves.

Essa estratégia, em tese, serviria para liberar os laterais Marco Antônio e Roger. Só que Roger esteve apático, parecia deprimido, e Marco António… bem, foi corno se não houvesse Marco Antônio.

Soltos e agudos estavam mesmo eram os laterais do Inter. Enciso menos, por ter que parar o voluntarioso Cleison, que caía pelo seu setor. Mais Elivélton, o melhor em campo, que passou o tempo todo ingressando peio setor onde devia estar Marco Antônio.

Como o Grêmio estava acantonado e trêmulo diante da sua área, não se aproveitou das precariedades do meio-de-campo do Inter, lá onde o afoito Claiton era, exatamente, afoito, e Dunga se atrapalhava com a bola, fazendo-a sair feito um caroço de abacate do seu pé, sempre que sob meia-pressão. A bola que voou perfeita, alçada por Dunga, foi de falta, aos 12 minutos, direto na cabeça de Gonçalves, que se valeu da saída de gol errada de Danrlei e marcou o único gol do Gre-Nal.

Para piorar a situação do Grêmio, seu centroavante ”presente de Natal”, Agnaldo, não é que ele tenha sido ruim: foi péssimo. Agnaldo não apenas errou quase todos os lances de que participou como ainda conseguiu perder dois gols que nenhum camisa 9 assalariado pode perder – aos 33 minutos, ao receber livre de Ronaldinho, dentro da área, ele esperou, esperou. até a zaga se recuperar e colocar a bola para fora. E aos 48 minutos do segundo tempo, depois de uma falta que Ronaldinho acertou no travessão, Agnaldo, a um passo da linha de gol, deixou que a bola batesse na sua coxa e desmaiasse nas mãos do goleiro André, perplexo por ter conseguido fazer a defesa.

Essa falta de Ronaldinho, aliás, foi o lance mais polêmico do jogo. A bola bateu no travessão e no risco. Os jogadores do Grêmio reclamaram que foi gol, mas no risco não vale – a bola tem que entrar inteiramente. A falta de Ronaldinho teve uma outra importância: foi o único chute do Grêmio a gol, em toda a partida. Único! O que dá a justa medida da proposta de Celso Roth para o clássico, um amigável convite para que o Inter jogasse. E o Inter jogou.” (David Coimbra, Zero Hora, segunda-feira, 14 de junho de 1999)

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Elivélton, o melhor da partida

André – Quase não trabalhou. Seguro nas intervenções… 8

Enciso – Marcou com eficiência, mas não apoiou …………. 7

Lúcio – Foi soberano em todas as bolas pelo alto ………… 8

Gonçalves – Sua experiência tem sido fundamental …….. 9

Régis – Bem nas antecipações. Jogou com categoria……. 8

Elivélton – Foi o maior destaque do jogo. Uma lição de como se joga como ala. Marcou e atacou na hora certa …..10

Ânderson – Guerreiro e heróico, ao estilo do Gre-Nal …… 8

Dunga – Combateu e comandou o time até cansar ………. 8

Claiton – Valeu mais pelo espírito de luta e superação ….. 7

Fabiano – Iniciou como um furacão. Caiu no 2º tempo ….. 8

Christian – Irritou-se com a marcação. Sempre perigoso…8

Almir – Pouco acrescentou. 6 Denílson – Entrou aos 41..s/n

João Santos – Entrou no fim e causou lance polêmico….s/n”

(Correio do Povo, segunda-feira, 14 de junho de 1999)

Ronaldo Alves, destaque

Danrlei – Fez defesas importantes, mas vacilou no gol……7
M. Antônio – Marcou bem, mas deveria ter apoiado mais .6

R. Alves – Não deu espaço para Christian. Muito seguro ..9

Scheidt – Ficou na sobra e mostrou sua categoria ……….. 8

Éder – Teve que fazer muita faltas para conter Fabiano …7

Roger – Quase não jogou. Ficou muito preso atrás…………5

Djair – Exagerou nas faltas, mas cobriu bem o setor……….7

Goiano – Parecia perdido no esquema improvisado……….6

Cleison – Começou participativo. Cansou e sumiu …………6

Ronaldo – Sofreu com o esquema no 1º tempo, mas teve alguns lances. Depois, ao lado de Gral, melhorou muito…8

Agnaldo – Desapareceu diante da marcação forte …………4

Rodrigo Gral – Difícil entender por que não entrou antes…8

Gavião e Zé Afonso entraram bem ………………………………7

(Correio do Povo, segunda-feira, 14 de junho de 1999)

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Foto: Paulo Franken (Zero Hora)

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Foto: Paulo Franken (Zero Hora)

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

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Foto: Julio Cordeiro (Zero Hora)

INTER: André; Gonçalves, Lúcio e Regis; Enciso; Dunga (Denilson), Anderson, Claiton (João Santos) e Elivelton: Fabiano (Almir) e Christian
Técnico: Paulo Autuori

GRÊMIO: Danrlei; Ronaldo Alves (Zé Afonso), Scheidt e Eder; Marco Antonio (Gavião), Djair, Goiano, Cleison (Rodrigo Gral) e Roger; Ronaldinho e Agnaldo
Técnico: Celso Roth

Data: 13 de junho de 1999, domingo, 17h00min
Local: Estádio Beira-Rio
Público: 37.329 (29.079 pagantes)
Renda: RS 253.439,00
Árbitro: Leonardo Gaciba
Auxiliares: Valdir Cardia e Paulo Ricardo da Conceição.
Cartões amarelos: Ronaldo Alves, Cleison, Djair, Roger, Chistian, Dunga, João Santos.
Gol: Gonçalves, aos 12 minutos do segundo tempo

Médias de públicos de finais do Gauchão com mando do Internacional

April 13, 2019 by

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Fiz um levantamento dos públicos das finais do Gauchão da década de 90 para cá. A média de público nas finais com mando do Inter é de 31.547.

Vale lembrar que em 1990, 1993 e 1994 a fórmula de disputa não previa uma final. Em alguns anos a final envolvia uma melhor de três jogos, casos em que eu só considerei um jogo por mandante. E não achei o público pagantes das finais no Beira-Rio em 2003 e 2006 (casos em que estimei o público pagante com base no público total)

Isolando apenas as finais com Gre-Nais, a média de público em finais com mando do Inter é de 32.628.

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Gauchão 1994 – Inter 1×0 Grêmio

April 13, 2019 by
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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

No “interminável” Gauchão de 1994, Inter e Grêmio se enfrentaram no primeiro Gre-Nal daquela temporada no Beira-Rio em 12 de junho de 1994.

O Co-irmão havia sido eliminado da Copa do Brasil, no meio da semana, pelo Ceará e buscava se reabilitar com um vitória no certame regional. Conseguiu isso graças a um gol de Argel.

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Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

 

VITÓRIA DEVOLVE A ALEGRIA AO INTER
O time de Lopes se recuperou da eliminação na Copa do Brasil e aumentou a vantagem sobre o Grêmio no Gauchão

O torcedor que há quase um ano não assistia ao mais tradicional clássico gaúcho teve ontem, no Estádio Beira-Rio, a oportunidade de refrescar a memória com um típico Gre-Nal. Muita força, jogadas concentradas no meio campo, sete cartões amarelos e apenas um gol marcado. A tarde que havia começado coberta por um céu azul cintilante, terminou num crepúsculo vermelho, colorida pelo gol de Argel — aos 16 minutos do segundo tempo — que garantiu a vitória e a invencibilidade do Inter no Gauchão. Com 24 pontos, o time de Lopes mantes e a liderança isolada e aumentou a diferença sobre o Grêmio para cinco pontos.

Assim como a bela tarde de domingo, o Gre-Nal também mostrou uma certa predominância do azul em campo. Foi a equipe do técnico Luiz Felipe que mais tempo esteve com a posse de bola. Foi ela que mais situações de gol criou e, também, a que mais chances desperdiçou. Ao Internacional coube a estratégia dos contra-ataques. Mas, sobretudo, coube à equipe de Antônio Lopes fazer o único gol da partida. Após a cobrança de falta pelo lateral-direito Daniel Frasson, o zagueiro Argel desviou de Danrlei. 1 a 0. Méritos à eficiência.

As oportunidades de gol do primeiro tempo foram muito raras. Limitaram-se a um chute fraco de Caíco, uma cabeçada de Paulão pelo lado, um chute de Mazinho Loiola, e um arremate de Nildo na entrada da pequena área pelo alto. As duas equipes jogavam-se ao ataque com cautela, preocupadas em não deixar espaços para o contra-ataque adversário.

OUSADIA – A segunda etapa recebeu alguns contornos mais ousados. Um chute forte de Carlos Miguel balançou o travessão da goleira de Sérgio. O gol marcado por Argel forçou o Grêmio a sair mais à frente. Luiz Felipe chamou Carlinhos e o colocou no lugar do garoto Émerson. Era a tentativa do técnico gremista de buscar uma reação que acabou não chegando. Mesmo com três atacantes —Carlinhos, Fabinho e Nildo — o time de Luiz Felipe não conseguiu converter em gols as chances criadas. A defesa segura do Inter e a boa participação de Caíco na articulação das jogadas de ataque foram suficientes para controlar a força gremista. O Gre-Nal de número 322 terminou com festa colorada. Um presente ao 53° aniversário de Antônio Lopes.” (Sílvio Ferreira, Zero Hora, segunda-feira, 13 de junho de 1994)

 

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

JOVENS FESTEJAM OS 53 ANOS DE LOPES
Os garotos Caíco e Argel, lançados pelo treinador, transformaram a vitória em presente de aniversário

O Gre-Nal de número 322, que deixou o Inter na liderança isolada do Gauchão, reservou momentos de emoção. O técnico António Lopes viu Argel e Caíco, dois jogadores por ele lançados para o futebol, presentearem-no com atuações individuais convincentes, um gol e uma vitória importante sobre o principal rival. Desde ontem um homem com 53 anos, Lopes passou o jogo inteiro agitado. A partir dos nove minutos, quando se ergueu pela primeira vez e correu em direção à beirada do campo, o senta-levanta se tornou quase que constante.
Em campo, a aplicação tática e a garra de Argel se somavam à habilidade de Caíco.

O atacante Aírton Graciliano dos Santos, 20 anos completos desde o último dia 15, já dava seus dribles desconcertantes na boa zaga gremista quando uma falta na meia-esquerda incentivou o zagueiro Argelico Fucks, 19, a se arriscar na área adversária. Daniel Frasson chutou rasteiro. A bola roçou em Anderson e encontrou o pé de Argel. Parou na rede. Desacostumado à emoção de fazer gols, o garoto disparou em direção à torcida mostrando o distintivo. “Sou mais do que um jogador, sou um colorado”, bradou. “Esta vitória compensa qualquer derrota para o Ceará, o importante é derrotar o Grêmio.”

No momento do gol, Lopes foi lacônico. “Isto é Gre-Nal, nada está decidido”, comentou, demonstrando familiaridade com o futebol gaúcho. Eram 16h55min. A noite reservaria ainda a comemoração do Dia dos Namorados com a mulher Elza. A festa de aniversário ficou para hoje. Com os amigos gaúchos. Especialmente os garotos que devolveram a ele a alegria de vencer um Gre-Nal.” (Léo Gerchmann, Zero Hora, segunda-feira, 13 de junho de 1994)

 

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Fonte: Pioneiro

 “DERROTA NÃO ABALA GREMISTAS

A derrota para o Inter por 1 a 0 não desanimará o grupo de jogadores gremistas nem modificará o trabalho planejado pela comissão técnica. A garantia é do presidente Fábio Koff e do técnico Luiz Felipe — que perdeu o seu primeiro Gre-Nal como treinador. Ambos consideraram o resultado negativo normal em um clássico, lamentaram as oportunidades perdidas, o vacilo no lance do gol de Argel, e pediram a confiança da torcida para a equipe em formação

Depois do jogo, Fabio Koff insistiu para que a torcida tricolor dê crédito à equipe. “Temos um time confiável e bem trabalhado para formar um grande elenco, portanto um resultado absolutamente previsível não vai desestruturar o grupo”, falou Koff. Em análise semelhante, Luiz Felipe elogiou o desempenho do Grêmio, lamentou o gol de bola parada e os erros nas conclusões. Mas descartou mudanças na filosofia de trabalho de aproveitamento dos jovens.

Os jogadores e o técnico Luiz Felipe enfatizaram da importância do Gauchão e acham que o time vai se recuperar — caiu para 4º — contra o Guarani-VA, na quarta-feira e domingo em Pelotas, diante do Brasil. O Grêmio ainda espera pelo próximo adversário da semifinal da Copa do Brasil: Vasco ou Atlético-MG.” (Alvaro Larangeira, Zero Hora, segunda-feira, 13 de junho de 1994)

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

Inter 1×0 Grêmio

INTER: Sérgio Guedes; Daniel Frasson, Argel, Ricardo e Silvan; Anderson, Elson, Mazinho Oliveira (Alexandre) e Caíco; Mazinho Loiola (Fábio) e Paulinho McLaren
Técnico: Antonio Lopes

GRÊMIO: Danrlei; Ayupe, Paulão, Agnaldo e Roger; Pingo, Jamir, Emerson (Carlinhos) e Carlos Miguel; Fabinho e Nildo
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Gauchão 1994 – 12ª Rodada
Data: 12 de junho de 1994, domingo
Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre/RS
Público: 21.184 (17.401 pagantes)
Renda: Cr$ 56.456.000,00
Árbitro: Silvio Luís de Oliveira
Assistentes: Luís Augusto Muhle e Marco Aurélio Charão
Cartões amarelos: Silvan, Ânderson, Daniel Frasson, Elson, Paulão, Nildo, Fabinho
Gol: Argel, aos 16 minutos do segundo tempo

Gauchão 1979 – 1º Turno – Inter 0x0 Grêmio

April 13, 2019 by
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Foto: J.B. Scalco (Placar)

 

Em 13 de maio, Grêmio e Inter disputaram, no estádio Beira-Rio, o primeiro clássico da temporada 1979, o qual ficou conhecido como o Gre-Nal que Jurandir marcou/parou/anulou Falcão.

Era a última rodada do primeiro turno do Gauchão daquele ano. O tricolor estava um ponto na frente da classificação, de modo que o empate lhe garantira a liderança e o ponto-extra para o octogonal final. Com diversos desfalques, como Nardela e Paulo César Caju, Orlando Fantoni optou por escalar Jurandir, originalmente um atacante, no meio de campo, com a função de acompanhar o camisa 5 colorado em qualquer setor do campo. Deu certo, o Grêmio teve clara superioridade tática e conseguiu o resultado que lhe bastava para conquistar o turno.

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Foto: Zero Hora

“ESSE EMPATE GARANTIU O PONTO-EXTRA AO GRÊMIO
Grandes destaques foram a vantagem tática de Fantoni sobre o quadrado de Cláudio e a péssima atuação de Sílvio Rodrigues, que prejudicou o Grêmio até a expulsão de André e depois ajudou

A jogada começou com Jurandir, passou por André e chegou a lúra, meia-esquerda de ataque, dentro da área do Inter. O meta-cancha do Grêmio deu uma puxeta sobre a zaga adversária, encontrando André livre pelo outro lado. O Centroavante dominou, chutou, Benitez defendeu com o pé mas no rebote o goleador do Grêmio fez o gol que poderia ter definido o Grenal de ontem à tarde no Beira-Rio. Eram 18 minutos do segundo quando o, árbitro Silvio Rodrigues cometeu seu maior erro, anulando o gol do Grêmio.

Três minutos mais tarde, porém, o resultado do Gre-Nal praticamente ficou definido. André, que recebera cartão amarelo quando da anulação de seu gol, resolveu catimbar – chutou a bola para longe – e foi expulso acertadamente pelo juiz da partida. Mas Silvio Rodrigues, a partir desse momento, simplesmente deixou de marcar faltas a favor do Inter perto da área do Grêmio e ajudou decisivamente — para desespero de alguns jogadores do Inter em campo — o time de Fantoni a manter o empate que lhe garantiu o ponto extra desse turno.

O Inter teve algumas oportunidades no primeiro tempo, quando Jair aproveitou um erro de Eder na marcação a Valdomiro —21 minutos – ganhou a frente da jogada mas chutou com muita força, por cima do gol de Manga. Falcão também errou uma cabeçada — 25 minutos – após um escanteio da direita com o gol vazio pois Manga sairá errado e se passara da bola cruzada. E mais tarde Jair esperou muito, permitindo a cobertura de Dirceu, quando ficou com a frente aberta pela meia-direita depois da jogada de Mário pela ponta-esquerda. Na fase final, apesar da pressão, da correria e da superioridade numérica, o time de Cláudio não conseguiu levar perigo ao gol de Manga.

Tarciso foi o responsável pela primeira grande jogada da partida. Eram três minutos quando ele dominou a bola em seu campo, ganhou de toda zaga do Inter na corrida mas centrou mal — lúra reclamou toque de Larry dentro da área. O Grêmio ainda poderia ter feito seu gol no final da primeira fase, quando lúra recebeu um lançamento longo da direita, penetrou entre os zagueiros do Inter, dominou sozinho à frente de Benitez e foi derrubado — Silvio Rodrigues não quis marcar o pênalti – quando o goleiro do Inter sentiu que fora batido com um drible para seu lado esquerdo.

A partir da expulsão de André, Fantoni definiu sua equipe defensivamente; tirou Iúra e colocou Valderez, pouco depois colocando Vilson no lugar de Eder pela ponta-esquerda. O Grêmio se encolheu e tratou de garantir o empate sem gols, Só Tarciso ainda tentava qualquer coisa no ataque, em velocidade. O Inter passou a jogar no campo adversário, mas, sem espaço, nada conseguiu.” (Zero Hora, segunda-feira, 14 de maio de 1979)

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Foto: Zero Hora

“VITÓRIA TÁTICA SURGIU COM JURANDIR MARCANDO FALCÃO

Sábado pela manhã Fantoni já confirrmava definitivamente informação exclusiva de Zero Hora: Jurandir sairia jogando, não Valderez ou Leandro. E a partir dessa definição tática o Grêmio começou a lutar com grandes possiblidades seu objetivo, o ponto-extra. Jurandir não foi ponta, nem meia-direita mas simplesmente um aplicadíssimo marcador de Falcão, em qualquer setor do campo do Grêmio.

Jair tentou organizar as jogadas para seu ataque e foi eficiente nos primeiros 30 minutos mas logo Vítor Hugo corrigiu um pouco seu posicionamento – desde o início muito preocupado em ajudar Dirceu na marcação a Valdomiro — e terminou com o setor de armação do Inter. Taticamente Falcão esteve bem pois tratou de levar Jurandir para a lateral-direita do Grêmio, preocupando Eurico que até então jogava livre. Mas essa atitude de Falcão exigia que alguém aprovei-tasse o espaço surgido pelo meio e conseguisse levar o time à frente, o que Caçapava, Batista e Jair não conseguiram. Adilson entrou aos 25 minutos da fase final tentando a mesma coisa mas também nada conseguiu.

Sem Paulo César e Nardela lesionados, Fantoni tratou de neutralizar o quarteto de meia-cancha do Inter com Jurandir. E foi muito feliz. Sexta-feira o técnico gremista se lembrou da partida disputada em 20 de fevereiro na cidade de Rosário, contra o Independiente. Nardela estava em Porto Alegre e Paulo César fora expulso, então ele usou Jurandir e Tarciso em revezamento pelo setor e o Grêmio assegurou os 4 x 0. Repetiu a dose nesse momento de emergência e novamente obteve sucesso, ajudado pelo ponto de vantagem que o Pelotas deu ao Grêmio quatro dias antes.” (Zero Hora, segunda-feira, 14 de maio de 1979)

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Foto: Zero Hora

“FOI SIMPLES

Na última sexta-feira, Jurandir já havia tomado banho, vestido sua roupa e despedia-se dos companheiros quando o supervisor Antonio Verardi entrou no vestiário do Olímpico: “O Fantoni quer falar com vocês é para tu concentrares amanhã (sábado).” Jurandir foi até o ficou sabendo das idéias do técnico. “Nem esperava jogar neste Gre-Nal. Fui chamado a última hora ” explicava, e substituir ao Paulo César e também ao Nardela, era uma responsabilidade muito grande.”

Ontem durante o Gre-Nal não foram necessários mais de alguns minutos para que a função de Jurandlr fosse conhecida. Mal o juiz apitou seu início e ele colou em Falcão. Desfalcado e necessitando apenas de um empate, o Grêmio queria prejudicar a armação das jogadas. O responsável por isto seria Jurandir, marcando de cima ao meia-cancha colorado quando sua equipe era atacada.

— Foi simples — dizia ele. Uma vez quando ainda estava no Caxias com o Froner fiz isto contra o Falcão e deu certo. Sabia que ele, bem marcado, seria muito bom para o Grêmio, porque ele faz tudo na equipe do Inter. Fazendo isto, 50% do time deles estaria prejudicado. E depois ninguém consegue jogar direito com alguém em cima, marcando sempre. O cara não agüenta e quando tem a bola dominada já acaba errando.

O esquema já estava definido no sábado “quando treinamos, isto durante uns 30 minutos”, lembrava Vitor Hugo. “Nós iríamos jogar da mesma forma do Inter. Quando eles atacavam tinham quatro e nós também, pois o Tarciso e o Jurandlr voltavam. Quando nós atacávamos também tínhamos quatro, pois os dois subiam. E o Jurandir com sua aplicação e sua dedicação foi insuperável nesta função,” comentou o centromédio.” (Zero Hora, segunda-feira, 14 de maio de 1979)

 

JURANDIR:Eu não estava nem concentrado. No sábado, já estava saindo pelo portão do Olímpico quando o seu Verardi (Antônio Carlos, supervisor) me chamou. Iúra, Tarciso e Paulo César (Caju) se reuniram e disseram que só eu poderia marcar o Falcão. Peguei a vaga do Ladinho. Falcão era o melhor jogador brasileiro, uma estrela, fazia a diferença. Mas consegui marcá-lo sem dar um pontapé. Eu estava muito bem preparado. Até nisso Falcão era diferenciado. Foi elegante, não reclamou de nada. Aquele Gre-Nal ficou na história, virou o meu cartão-postal. Marquei o cara que viria a ser o Rei de Roma.” (Diário Gaúcho, 1º de maio de 2015)

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Foto: Zero Hora

 

“Na breve viagem pelo passado, Silvio recorda um dos três Gre-Nais que apitou, que se destaca na história do clássico em razão de um lance insólito protagonizado pelo atacante gremista André Catimba, no Estádio Beira-Rio, nos anos 70. Após ser advertido, André foi para cima de Silvio, que estendeu o braço para impedir que ele se aproximasse. Quando a mão do juiz encostou no peito jogador, este se jogou no chão como se Silvio o tivesse empurrado. O estádio inteiro caiu na risada. Gremistas e colorados riram muito, possivelmente pela primeira vez juntos. Foi um lance engraçado.” (Jornal Marca da Cal, Janeiro/Fevereiro 2012)

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ORLANDO FANTONI:O Jurandir neutralizou o Falcão. Eu achava, antes da partida que o jogo seria decidido no meio do campo, onde o Inter possui jogadores excepcionais, como Falcão, Batista e Jair. Mas fomos felizes, graças à Deus, pois conseguimos anular as principais jogadas do adversário e ainda tivemos oportunidade de gols, como aquele lance em que o André marcou mas o juiz, inexplicavelmente, anulou a jogada.”

ORLANDO FANTONI: “Olha que eu já vi muitos jogos entre equipes rivais em toda minha vida. Co- mo o Gre-Nal eu não conhecia em termos DE catimba, de virilidade, enfim, de dureza nas disputas de bola. Conheci clássicos no futebol carioca, mineiro e baiano, como o gaúcho não tem igual: esta experiência eu vivi neste Gre-Nal. E o jogo mais nervoso e catimbado do Brasil para quem está dentro do campo; e para quem está fora torcendo

ORLANDO FANTONI: “O árbitro foi um pouco indeciso ao cometer algumas falhas importantes dentro da partida. Foram lances capitais, como uma penalidade clara em Iúra, um gol anulado do André e a expulsão por reclamação. Reclamação por reclamação, os jogadores do Inter estavam fazendo desde o primeiro tempo e não foram expulsos.”

INTERNACIONAL: Benitez; Hermes, Larry, Beliato e Bereta (Chico Espina); Caçapava, Batista, Falcão e Jair; Valdomiro e Mário (Adilson)
Técnico: Claúdio Duarte

GRÊMIO: Manga; Eurico, Vicente, Vantuir e Dirceu; Vitor Hugo, Jurandir e Iura (Valderez); Tarciso, André e Éder Aleixo (Vilson)
Técnico: Orlando Fantoni

Data: 13/05/1979, domingo
Local: Estádio Beira Rio, em Porto Alegre – RS
Público: 58.932 pagantes
Renda: Cr$ 3.204.250,00
Árbitro: Sílvio Rodrigues
Auxiliares: Juarez Oliveira e Estemir Vilhena da Silva
Cartão Vermelho: André