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Robertão 1969 – Flamengo 0x3 Grêmio

August 10, 2019
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Foto: Correio do Povo

No Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969 o Grêmio conseguiu uma categórica vitória por 3×0 sobre o Flamengo no Maracanã (local onde o tricolor tem retrospecto interessante. Iniciando com uma vitória em 1950 e só sofrendo o primeiro revés em 1974)

É de se notar que o Grêmio está usando uma meia mais escura que a tradicional, o que eu suponho ser da cor cinza (uma vez que o tom nas fotos difere do azul da camisa e do preto do calção e camisa).

RECUPERAÇÃO GREMISTA VEIO FULMINANTE: 3 X 0 NO FLAMENGO COM BELA EXIBIÇÃO NO MARACANÃ

RIO, 15 (Dos enviados especiais) — O Grêmio somou os primeiros pontos no “RGP” de forma sensacional, pois aplicou 3×0 Flamengo em pleno Maracanã. E para dobrar o até então invicto rubro-negro da Gávea, o heptacampeão gaúcho mostrou do tudo o que sabe, através de um futebol moderno, insinuante, tática e tecnicamente de alto nível. Um resultado que além de, colocar o tricolor entre os líderes no Grupo B do “Robertão”, manteve a invencibilidade gremista em confronto com o Flamengo e no “maior estádio do mundo”.

Ao final do primeiro tempo, a representação gaúcha já vencia de 1 x 0, tento anotado por Alcindo. Na etapa decisiva, Flecha e Loivo, que substituiu Alcindo, voltaram a alimentar o marcador. O paulista Romualdo Arppi não teve trabalho na condução do jôgo, cuja renda superou ou a casa dos 90 mil cruzeiro novos, soma das melhores, considerando que choveu até pouco antes da partida.

IRRESISTIVEL — O Grêmio cumpriu uma atuação de gala no Maracanã. Com um futebol tranquilo, preciso e de força coletiva, os tricolores não tomaram conhecimento do e poderiam ter chegado a uma goleada. Muito cedo os gremistas apresentara perfeição na defensiva, onde Ari Erclio despontava, e atacaram de maneira envolvente através, especialmente, de Flecha e Volmir. E o Flamengo, coma um ataque dispersivo, um meio de campo sem força e uma retaguarda tonta com a velocidade dos atacantes gaúchos, foi pacificamente envolvido. Como se não bastasse, contara o Grêmio, afora o perfeito entrosamento dos setores, com jogadores em plano individual muito acima. Pois também Jadir, como destruidor, Júlio Amaral no apoio e Davi, defendendo e investindo, brilhavam intensamente. No período complementar, o Flamengo chegou a forçar o jôgo, levando o Grêmio a um resguardo. Mas isso não durou muito. Paulatinamente, os tricolores, no mesmo ritmo com que prevaleceram nos 45 minutos, liquidaram com o adversário.

OS GOLOS — Alcindo fêz 1 x 0, aos 15 minutos de ações. Renato lançou em profundidade, o «Bugre» levou a melhor sôbre Manicera, iludiu a Sidnei que abandonou a meta e com leve toque acertou as rêdes.

Aos 58 minutos, Flecha aumentou. E de forma sensacional. O ponteiro recebeu na intermediária flamenguista, bateu a dois contrários na corrida e mesmo acossado e sem ângulo, na grande área alvejou forte e certeiro. Faltavam 3 minutos para o final, quando Loivo marcou o terceiro. Flecha bateu a Paulo Henrique e fêz o cruzamento. O substituto de Alcindo entrava pelo meio e de bate-pronto estufou os barbantes de Sidnei.” (Correio do Povo, terça-feira, 16 de setembro de 1969)

MARACANÃ – FLA, A DECEPÇÃO
A bola veio descendo. Alcindo fingiu que ia para um lado, e saiu para o outro. Manicera se estatelou no chão, completamente batido no lance. O goleiro Sidnei ainda tentou salvar a situação, mas o atacante gaúcho foi mais rápido. Quase entrou com bola e tudo. Eram 28 minutos do primeiro tempo, 1 a 0 Grêmio. ‘

Tão perdido como Manicera neste lance, estava o Flamengo desde o início da partida. O gol saiu naturalmente, a favor da equipe armada com mais inteligência, mais disposta à luta e contando com jogadores de maior categoria. O placar apontava 1 a 0, no primeiro tempo, mas para os torcedores cariocas parecia muito mais. Nunca uma reação se mostrou tão impossível.

O Flamengo jamais se encontrou. A exceção do goleiro Sidnei, que demonstrou mais uma vez ser um elemento de boa categoria, os demais eram figuras dispersas de uma equipe sem conjunto e com valores individuais duvidosos, sobretudo para um time que possui a maior torcida da cidade, talvez a maior do país. Um dos mercados consumidores pior explorados do mundo.

Ao Grêmio bastou usar a paciência e a velocidade de dois jogadores sempre perigosos, como Alcindo e o ponteiro-direito Flexa. O time gaúcho, a exemplo do que fez nos dois últimos torneios, manteve-se bem fechado na sua defesa, com o médio Jadir dando proteção constante aos zagueiros. O meio de campo nunca foi multo importante para os adversários do Flamengo. O seu objetivo era o de manter-se bem armado atrás, procurando a vitória na base dos contra-ataques.

O Flamengo, um time perdido, caiu na armadilha. Foi todo à frente, exercendo um domínio territorial duvidoso, pois ao chegar na frente da área adversário nada mais conseguia de positivo. Ao contrário das últimas partidas, o juvenil Ademir, surpreendentemente mal marcado por Everaldo, foi o melhor dos atacantes cariocas. Mas suas jogadas foram desperdiçadas por um Fio lento e dispersivo e por um Dionisio bem marcado, sem poder dar das suas cabeçadas. Na ponta esquerda, ninguém. Luis Cláudio, no primeiro tempo, e Bianchini, no segundo, foram figuras inexpressivas.

Mas, o ataque jogar mal já era até esperado. Estava desfalcado dos seus dois ponteiros, Doval e Arilson. A defesa é que foi a maior surpresa. De Murilo a Paulo Henrique, ninguém se entendeu e todos os contra-ataques gaúchos levaram pânico e desordem. Era só os atacantes do Grêmio terem tido um pouco mais de sorte nas conclusões e o placar não seria apenas 3 a O. De tudo, ficam as palavras do dirigente George Helal: — O Flamengo está satisfeito com os jogadores que tem.” (Jornal do Brasil, segunda-feira, 15 de setembro de 1969)

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GRÊMIO GANHA COMO QUER NOS ERROS DO FLA
O Flamengo perdeu para o Grêmio por 3 a 0 e, pelos erros de estruturação que mostrou, o placar até que não fêz justiça a superioridade do time gaúcho, melhor do primeiro ao último minuto da partida. Enquanto o Grêmio se mostrava consciente de sua força, plantada na defesa e rápido no ataque, o Flamengo perdia-se numa troca de passes inconsequente. […]” (Jornal dos Sports, 15 de setembro de 1969)

 

 

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Flamengo 0x3 Grêmio

FLAMENGO: Sidnei; Murilo, Manicera, Guilherme e Paulo Henrique; Liminha e Rodrigues Neto; Ademir, Fio, Dionísio, Luís Cláudio (Bianchini).
Técnico: Tim

GRÊMIO: Arlindo; Renato, Ari Ercílio, Áureo e Everaldo; Jadir e Júlio Amaral; Flecha, Davi (João Severiano), Alcindo (Loivo) e Volmir
Técnico: Sergio Moacir Torres

Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1969 – 1ª Fase – 3ª Rodada
Data: 14 de setembro de 1969
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro-RJ
Público: 30 938
Renda: NCr$ 92.822,75
Árbitro: Romualdo Arppi Filho (SP)
Assistentes: José Aldo Pereira (RJ) e Luis Carlos Felix (RJ)
Gols: Alcindo, aos 27 minutos do 1º tempo; Flecha, aos 14 minutos do 2º tempo e Loivo aos 38 minutos do 2º tempo

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