Como foi a inauguração do Olímpico


Hoje o Estádio Olímpico completa 58 anos. Talvez seja o seu último aniversário. Todos sabem que a partida de inauguração foi Grêmio 2×0 Nacional do Uruguai. Mas como foi a cerimônia de abertura? Qual era o clima da cidade no dia?

Eu fiz uma pesquisa nos jornais da época e encontrei alguns dados curiosos.

– O Grêmio tinha cerca de 11.000 sócios em 1954. Nenhum deles precisou pagar ingresso para ver o jogo inagural.

– Cinco dias antes da inaguração o estádio ainda estava em obras e última parte de arquibancadas estava recebendo o cimento. Os jogadores já treinavam no gramado do Olímpico.

– O estádio tinha somente 7 portões naquela época.

– O presidente Saturnino Vanzelotti deixou claro no seu discurso que o estádio não estava completo e que as obras deveria seguir nos anos que viriam.

Seguem abaixo algumas fotos e textos retirados dos jornais Correio do Povo e Folha da Tarde Esportiva:


“O PRIMEIRO SÓCIO

Às 12 horas em ponto o esportisita Hermínio Bitencourt, que estava no controle dos portões, distribuiu o policiamento e ordenou a abertura das sete entradas do Estádio. O primeiro associado tricolor a penetrar no Estádio Olímpico foi o dr. Dario Strasntassen.

[…]

GRANDES FILAS

Grandes filas organizaram-se em torno do Estádio, por volta do meio-dia, e até às três horas o movimento foi intenso. Somenta à noite a reportagem teve conhecimento dos dados oficiais sobre o numero de assistentes e o total da renda. O sr. Siqueira, chefe das arrecadações da FRGF, forneceunos os dados sobre este movimento.

SÓCIOS E CONVIDADOS

Nos portões de sócios e convidados os relógios acusaram 20.238 pessoas, não incluídos os menores. Estão incluídos nesta soma associados, convidados especiais, cronistas esportivos, etc.

10.848 GERAIS

Foram vendidas 10.848 entradas gerais, que renderam Cr$ 325.440,00. As bilheterias acusaram a venda de 2.222 meias-gerais, num total de Cr$ 44.440,oo. Foram vendidas 1.936 entradas colegiais, somando Cr$ 19.360.

APENAS 267 CADEIRAS VENDIDAS

Talvez devido ao preço altíssimo das cadeiras, que foram postas à venda a razão de 200 cruzeiros cada uma, a renda foi fraca, neste setor. Foram vendidas, apenas 267, que deram um renda total de Cr$ 53.400,00.
A renda total foi de Cr$ 442.640,00, não sendo quebrado o recorde total de assistentes: 35.511

SE OS SÓCIOS PAGASSEM

As entradas vendidas, em número de 15.273, acusaram a soma de Cr$ 442.640,00. Se os sócios do Grêmio houvessem contribuido com gerais, teríamos então quebrado todos os recordes, já que se teria recolhido Cr$ 1.049.780,00.” (Folha Esportiva – 20 de setembro de 1954)


“Dois triunfos espetaculares rubricou o Grêmio Porto Alegrense, na tarde de anteontem.

O primeiro deles, que constituiu, igualmente uma grande surpresa para o nosso público, foi a solene inauguração do Estádio Olímpico, situado à avenida Carlos Barbosa.

A nova Baixada suplantou em muito a imaginação popular, evindenciando um conjunto de linhas harmoniosas e as mais amplas e confortáveis instalações.

Com capacidade para cerca de 50.000 pessoas, todos os que compareceram ao Estádio ficaram otimamente situados, podendo torcer e vibrar perfeitamente instalados, sentados e sem o constraginmento habitual em nossas arquibancadas.

E foi um acontecimento impressionante e que perdurará por certo, na retina do público, o majestoso e bem organizado desfile que deu início às solenidades.

Via-se, inicialmente, um menino simbolizando o Mosqueteiro, que acompanhava, uma encantadora garota, a qual durante o longo desfile, executava repetidas acrobacias, sob aplausos entusiasticos.

Sob o dístico – O Grêmio de ontem – viam-se as bandeiras nacional, riograndense e do Grêmio conduzidas, respectivamente pelos atletas Ilse Gerdau, Pedro Mayerski e o veterano campeão dr. Augusto Maria Sisson. Seguiam-se os dirigentes gremista, destacando-se o grandes beneméritos da construção do Estádio: Saturnino Vanzelotti, Alfredo Obino e Silvio Toigo Filho, que constituem, hoje em dia, sem favor algum, o “tri de ouro” da família tricolor.

Sucederam-se atletas de todos os atuais departamentos tanto masculinos como femininos e o “Grêmio do futuro”, onde se viam meninos e meninas, que estão dando os primeiros passos na senda esportiva.

Sócios fundadores, ex-presidentes, diretores antigos todo o Grêmio, emfim, estava presente na pista olímpica, acompanhados por delegações dos clubes co-irmãos, todos com os seus respectivos pavilhões.

Ao som do Hino Nacional, foi hasteada a Banderia Brasileira e , logo após, o general Ernesto Dorneles, governador do Estado, desmanchava o laço de fita tricolor, dando por inaugurado o Estádio Olímpico.

D. Vicente Scherer, arcebispo metropolitano, deu a bênção do ritual, seguindo-se diveros oradores, sendo o discurso oficial proferido pelo dr. Ari Delgado, ex-jogador, atualmente prestimoso membro da diretoria.

Todas essas solenidades foram muito aplaudidas, constituindo, em conjunto, um espetaculo grandioso e agradavel ao mesmo tempo.

[…]

A renda das bilheterias esteve aquém do calculo previsto.

Tão somente Cr$ 442.640,00 passaram pelos “bordereaux”, acusando uma assitência de 35.511 pessoas.

Deve se ressaltar, entanto, que mais de 18.000 espectadores entraram gratuitamente, o que veio prejudicar em muito o montante da arrecadação.

Outro espetáculo magnifico era o representando pelas filas de torcedores, que, desde, o meeio-dia, se comprimiam ao redor da grandiosa Baixada.

Por vários quilometros se estendiam os esportistas, a esppera do instante de penetrarem no Estadio, indo as “bichas” desde a avenida Carlos Barbosa e rua da Azenha e José de Alencar, até além da Igreja do Menino Deus.

Nada mais será preciso escrevermos, para justificar o sucesso que alcançou a inaguração do monumental Estádio Olímpico do Grêmio Porto-Alegrense.” (Correio do povo – 21 de setembro de 1954)

“Aproximadamente às 15 horas, começou o desfile no Estádio Olímpico. A frente vinha uma banda da Brigada Militar do Estado, cadencinado a marcha.

O público de pé, aclamou vibrantemente os atletas e diretores de agora e do passado. As manifestações chegaram em certos casos ao delírio, provocando emoções profundas a todos.

“O GRÊMIO DE ONTEM”

Sob este dístico, desfilaram os homens que defenderam o prestígio esportivo do Grêmio nas liças do passado. Como porta-bandeiras havia a atleta Ilse Gerdau, Pedro Mayesky e dr. Augusto Maria Sisson, jogador de football dos primeiros tempos do tricolor cinquentenário. Nas colunas seguintes, viam-se homens como Luiz Carvalho, Luiz Assunção, Telêmaco Frazão de Lima, Alfredo Day, Luiz Luz, Nenê, Augusto Teixeira (Tigre), Eduardo de Rose, Túlio de Rose e os mais velhos como Waldemar Karl, Schuback, Mordieck e Dorival Fonseca. Baskettballistas, atletas e tenista de outrora também formaram no pelotão de “O Grêmio de ontem”.” (Folha Esportiva – 20 de setembro de 1954)


“Foi, por isso, particularmente feliz o presidente tricolor quando, chamado a dizer algumas palavras ao microfone, acentuou que as obras do estádio aindão não foram completadas. E, cheio de confiança, declarou: “É tocar para a frente!” (Folha Esportiva – 20 de setembro de 1954)

“Com as deficiências naturais de uma inauguração, o espetáculo de ontem no Estádio Olímpico do Grêmio Pôrto Alegrense, mesmo assim, ficará inesquecível para aquelas trinta e três mil e tantas pessoas que o assistiram confortavelmente instaladas na nova praça de esportes, sem contar as outras dez mil e muitas que tudo apreciaram de cima dos morros circunvizinhos” (Amaro Junior – Folha Esportiva – 20 de setembro de 1954)

A convite de Saturnino Vanzelotti e de Silvio Toigo, visitamos ontem, durante duas horas – que em menos tempo não é possível vêr tudo – o Estádio Olímpico do Grêmio Pôrto Alegrense.
[…]

O que ali estará plantado no dia 19 aos olhos do público, terá custado realmente 20.000.000 de cruzeiros. Mas valerá, sem exagero, algum, cinquenta milhões, na concretização do melhor negócio que um clube de futebol já fez em sua vida, no Brasil.


A TRANSCEDENCIA DA OBRA
Poderriamos dedicar ao estádio do Grêmio todos os adjetivos laudatórios em “oso” – fabuloso, grandioso, etc – que estariamos batizando condignamente o que nosso olhos viram.

Preferimos, porém, botar os olhos mais adiante. Que influência terá para o esporte, e desde já para o futebol de Pôrto Alegre, esse cenário modelar, que convidda, que atrai? Isso é o mais importante, o transcendente. Sabemos todos que o “bloco de choque” do futebol metropolitano, isto é, aquele corpo de assistentes mais ou menos permanente, que lhe dá vida, lotando os nosso exíguos estádios de até hoje anda oa redor das 15 000 pessoas. Excepcionalmente e sujeitand-se a sacríficos inauditos, tem chegado a 20.000. Não há em realidade possibilidade para mais. Daí a estagnação.

A importância maior do Estádio Olímpico, do ponto de vista do interesse e do bem coletivo, e abstraindo-se desde logo o que representará na vida privada da agremiação cinquentenária – a importância maior está reconheçamos, na influência decisiva que terá para o aumento da coletividade futebolística pôrto-alegrense. […] ” (Cid Pinheiro Cabral – Correio do Povo – 15 de setembro de 1954)


“No Estádio Olímpico da Avendia Carlos Barbosa praticaram durante 90 minutos os players do plantel tricolor. Os profissionais abateram os reservas por 4×0, goals de Tesourinha, Camacho, Zunino e Torres. Os quadros treinaram com as seguintes formações:

TITULARES – Sérgio; Roberto e Orli; Silvio, Sarará e Mauro; Tesourinha, Vitor, Camacho, Zunino e Torres

RESERVAS – Vilson; Mirão e Celso; Hugo, Roni e Português; Milton, Delem, Chico Preto, Alvim e Jorginho”(Correio do Povo – 15 de setembro de 1954)


“À esquerda, a última parte das arquibancadas que será posta em condições. Hoje receberá cimento e até domingo estará pronta. Trabalha-se a jato na Av. Carlos Barbosa: cerca de 300 operários
” (Correio do Povo – 15 de setembro de 1954)

“O Liverpool só amanhã entrará em ação na festa inaugural do Estádio Olímpico, embora também tome parte, hoje, no desfile de atletas que antecipará o grande jogo Nacional x Grêmio” (Correio do Povo – 19 de setembro de 1954)

“Visão panorâmica do pavilhão social, quando recebia ontem os últimos retoques. Poderá abrigar 20.000 sócios. Metade dessa cifar já está coberto, com o aumento vertiginoso nos últimso tempo do quadro social tricolor.” (Correio do Povo – 15 de setembro de 1954)




 

 
 
 
 

5 Responses to “Como foi a inauguração do Olímpico”

  1. Rosita Says:

    Belo trabalho! Só não consegui entender se houve jogo contra o Liverpool ou se eles só vieram participar da festa.

  2. André Kruse Says:

    Teve jogo sim. Eles jogaram contra o Inter no dia 20 e com o Grêmio no dia 22 http://gremio1983.blogspot.com.br/2011/01/gremio-vs-liverpool-uru-em-1954.html

  3. Rosita Says:

    valeu pelo esclarecimento e mais uma vez, brilhante trabalho de pesquisa e resgate da memória do Monumental!

  4. ALBERTO LOPES LAPOLLI Says:

    Lindo..emocionante reviver o passado.Meu Pai solteiro morou em Porto Alegre e assistia os jogos.Parabens!

  5. ALBERTO LOPES LAPOLLI Says:

    Lindo..emocionante reviver o passado.Meu Pai solteiro morou em Porto Alegre e assistia os jogos.Parabens!

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