1954 – Millonarios 5×1 Grêmio

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A história dos confrontos entre Millonarios e Grêmio teve início em 24 de janeiro de 1954. O tricolor estava na parte de final  de uma excursão ao exterior, iniciada no final do ano de 1953, tendo passado pelo México e Equador até chegar em Bogotá, onde faria os seus três últimos jogos antes do retorno para Porto Alegre.
A chamada Copa da Forças Armadas era um torneio de início de temporada, disputado pelos clubes locais (Santa Fé e Millonarios) e clubes convidados do Brasil (Grêmio) e do Uruguai (Rampla Jr.). O embate entre o Millonarios e Grêmio foi o primeiro jogo do torneio e o placar final foram acachapantes 5×1 para o time da casa.
Mesmo tendo desembarcado em Bogotá quatro dias antes da partida, o Grêmio sentiu bastante os efeitos da atitude. O tricolor até iniciou bem a partida, marcando um gol através de Vitor logo aos 14 minutos. Solano Patiño empatou para o Millonarios aos 31 minutos do primeiro tempo. Os 45 minutos finais foram desastrosos para o time de técnico Telemâco, que logo aos 3 minutos sofreu a virada. O time da casa ainda marcou outras três vezes sem que o Grêmio conseguisse reagir. 
O destaque do jogo foi o paraguaio Solano Patiño, que jogou emprestado, uma vez que era jogador do Boca Juniors de Cali. O grande nome do Millonarios era o argentino Adolfo Pedernera, que acumulava as funções de treinador e jogador em Bogotá. Pedernera (integrante da chamada máquina do River Plate) foi um dos percursores do “El Dorado” do futebol colombiano  ao deixar o futebol argentino para se somar a liga pirata da Colômbia.
Um dado curioso é que a imprensa de Bogotá se referia ao Grêmio e seus atletas como “cariocas”, e seguiu fazendo isso mesmo depois de ser introduzida a expressão “Gaúcho”
Segue abaixo algumas fotos, crônicas e a ficha da partida.

 Na foto acima vemos os jogadores Camacho e Pipoca, seguidos pelo treinador Telemâco Frazão de Lima, retornando ao vestiário do estádio El Campin no intervalo da partida.

“24 DE JANEIRO – Alguns jogadores, acompanhados dos dirigentes, foram à missa, sendo que a maioria permaneceu tôda a manhã no hotel, já que o almôço foi servido às 10,30. Deixamos o hotel com destino ao Estádio, por volta das 13 horas em ônibus especial. Todos os jogadores mostravam-se bem dispostos e durante todo o trajeto foram cantando as nossas marchas carnavalescas, bem como a marcha oficial do Cinquentenário do Grêmio. Depois das clássicas massagens ministradas pelo Biscadrdi, a turma, carregando uma enorme bandeira colombiana, deu entrada na cancha sob ovações de uma massa de torcedores calculadas em mais de 30 mil pessoas, que lotava quase por completo o belíssimo estádio local. Sob a arbitragem do juiz uruguaio Luiz A. Fernandes, que por sinal teve uma grande atuação, o jôgo foi iniciado, com a saída da nossa equipe. Já nos primeiros cinco minutos notava-se que o nosso adversário possuía mais valores que nossa equipe. Decorriam cerca de 14 minutos quando Tesourinha, numa de suas escrimagens, cedeu o balão para Vitor que, após fintar o Zuluaga, alinhou a pelota nos fundos das redes contrárias, marcando o nosso primeiro e único tento. Os colombianos, ou por outra, os argentinos, já que quase todo o team do Milionários é composto de jogadores buenairenses, passou a atacar com mais volume de jôgo, até que aos 31 minutos Noronha se deixou envolver numa jogada, dando lugar a uma confusão dentro da nossa área, do que se aproveitou Solando, jogador que pertence ao Boca Juniors, de Barranquila, e que jogou como refôrço para, num tiro rasteiro, empatar a peleja para os Milionários. Nosso quadro lutou de igual para igual até os 45 minutos finais, sendo que as equipes atuaram com a seguinte formação: Grêmio: – Sérgio – Pipoca e Altino – Roberto – Sarará e Noronha – Tesourinha – Mujica – Vitor – Alvim e Itamar.

Milionários com Ochoa – Pini e Zuluaga – Martinez – Rossi e Soria – Leticiano – Villaverde – Solano – Genes e Valeck. Iniciado o segundo tempo os locais entraram com Cozzi no arco e o afamado Pederneiras, que também é o treinador da equipe apareceu na meia direita em lugar de Villaverde, que passou para a ponta esquerda substituindo Valeck. Aos três minutos de jôgo, já se notava que nosso quadro estava atordoado dentro da cancha. Aos 5 minutos Pipoca falhou lamentavelmente numa jogada, dando lugar a Solano invadir a área, que se encontrava sem nenhuma cobertura, Sérgio saiu em falso, indo ao encontro do center-forward local, que conseguiu levar a melhor e alinhar a pelota nos fundos das rêdes: 2 a 1. Dois minutos mais tarde formou-se uma indecisão no trio final, tendo Noronha e Pipoca se deixando envolver o que resultou no terceiro tento dos locais marcados pelo mesmo Solano. Nossa equipe se acovardou por completo, dando prova de cansaço e ressentir da altitude, pos notava-se que nossos jogadores não tinham nenhuma disposição para disputar a pelota. Na altura dos 11 minutos, os locais conseguiram mais um ponto, ou seja, o quarto, por intermédio de Villaverde, aproveitando-o de uma trama muito bem urdida por Pederneiras. Nosso quadro já estava completamente entregue e algumas modificações nesta altura foram feitas como sejam, a entrada de Camacho para a meia esquerda, saindo Alvim de campo, e também Torres entrando no lugar de Itamar na ponta esquerda, passando êste jogador para a meia, em substituição a Camacho. Coube a Villaverde encerrar a contagem da tarde, aos 35 minutos, quando nosso zagueiro Pipoca falhou novamente em um lance de que também participou Sarará. Os locais passaram a fazer várias modificações em sua equipe, tendo Avila entrando em lugar de Solano. Podemos dizer que realizamos a pior partida de nossa gira. Aliás não estava eu enganado quando mandei dizer que nosso quadro já havia rendido demais e que se encontrava a esta altura completamente esgotado. Também tivemos pela frente um grande quadro com um padrão vistoso, tipo porteño, enquanto nosso team nada apresentou, nem padrão e nem tática de jogo. Assim que, depois do jôgo, ficamos para assistir ao encontro de fundo que reunia os quadros de Independiente de Santa Fé e Rampla Juniores de Montevideu.

[…]

Na volta, de ônibus, vieram todos os nossos jogadores tristes e à noite, depois do jantar, foram todos dormir, isso muito cêdo. Houve comentários entre os jogadores depois do prélio, conforme mandei dizer, e todos são unânimes em afirmar que altitude foi o fator principal de nossa péssima produção. Devo dizer que Roberto, Sarará e Camacho, que foi substituído, foram os únicos que escaparam da debacle bem como Tôrres que, embora seja esteja em segundo lugar na classificação de nossos artilheiros, entrou nos últimos minutos como vem acontecendo ultimamente.” (Edison Pires – Diário de Viagem – Revista Super Grêmio – Nº 3 – Páginas 115 e 116)

“Na chamada “Pequena Temporada Internacional de Foot-Ball”, que teve por cenário o Estádio “Nemésio Camacho”, de Bogotá, o Grêmio participou do quadrangular em que tomaram parte também o Milionários de Cali e o Santa Fé, da Colômbia e o Rampla Junior do Uruguai.

Concluindo sua “tournée” por gramados do México, Equador e Colômbia, o clube tricolor gaúcho defrontou-se primeiramente com um dois mais categorizados quadros colombianos – O Milionários – ao qual cedeu a vitória por 5 x 1, no dia 24 de janeiro.

A equipe gremista vencia o Milionários por 1×0, no primeiro tempo, quando os atletas tricolores começaram a sentir os efeitos da altitude. Cinco jogadores tiveram de ser socorridos para aliviar a asfixia. Depois de meia hora de jôgo, os colombianos tomaram as rédeas da partida e iniciaram a “virada”. Assim mesmo, no primeiro tempo, as ações puderam ser equilibradas até o final, quando terminou empatado em 1×1.

Com o estádio quase lotado, a equipe tricolor adentrou-se no gramado portanto a bandeira do país amigo e ovacionada pela torcida colombiana que, pela primeira vez, via atuar um clube gaúcho em sua terra.

Tratando-se de uma agremiação do porte do Milionáros, que representava verdadeiro combinado internacional (a grande maioria era de jogadores argentinos), havia que prever-se uma partida cheia de categoria e equilíbrio, o que veio a se confirmar através de um bom primeiro tempo, quando a igualdade no marcador deu a dimensão da contenda.

Coube a Tesourinha proporcionar a Vitor a oportunidade de abrir a contagem, aos 14 minutos, quando êste último conquistou o único tentou da esquadra tricolor recebendo a bola do ponteiro direito e driblando a Zuluaga para arrematar com êxito contra o arco de Ochoa.

Solano, aos 31 minutos, empatou para o Milionários, permanecendo êste resultado até o fim do primeiro período, ao longo do qual a equipe gremista conseguiu impor-se em igualdade de condições no gramado.

No segundo tempo, iniciado com algumas alterações do quadro colombiano as coisas pioraram para os gaúchos que demonstraram visíveis sinais de terem sido atingidos em cheio pelos perniciosos efeitos da grande atitude.

Já aos 5 minutos, Solano fazia o segundo golo, seguido do terceiro, ainda por intermédio de Solano, aos 7 minutos, cabendo a Villaverde ampliar para 4 o marcador do Milionários, aos 11 minutos.

Tentou o treinador gremista, a esta altura, introduzir substituições, alcançado com isto mais equilíbrio de fôrças, até que, aos 35 minutos, novamente Villaverde deu cifras definitivas ao placar marcando o quinto golo do Milionários.

Foi assim que a representação tricolor, completamente esgotada pela longa caminhada, e vítima, acima de tudo da altitude, realizou a pior partida de sua excursão.”  (Revista Super Grêmio – Nº 3 – Páginas 92 e 93)

Fontes: Revista Super Grêmio, Correio do Povo e El Tiempo

Millonarios 5×1 Grêmio

MILLONARIOS: Ochoa (Julio Cozzi); Pini e Zuluaga; Martinez, Rossi e Soria; Leticiano Guzmán, Villaverde, Solano Patiño (Avila), Genes e Valeck  (Pedernera)
Técnico: Adolfo Pedernera
GRÊMIO: Sérgio; Pipoca e Altino; Roberto, Sarará e Noronha; Tesourinha, Mujica, Vitor (Camacho), Alvim e Itamar (Torres)
Técnico: Telêmaco Frazão de Lima
Data: 24 de janeiro de 1954, domingo, 14:00
Local: Estádio El Campin, em Bogotá Colômbia
Juiz: Luís Alberto Fernandez
Gols: Victor aos 14 e Solano Patiño aos 31 minutos do primeiro tempo; Solano Patiño aos 3 e aos 5, e Villaverde aos 10 e aos 35 minutos do segundo tempo
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