Brasileirão 1981 – Final – Jogo de Volta – São Paulo 0x1 Grêmio

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Foto: Manchete

 

Há exatos 40 anos o Grêmio conquistava o seu primeiro título nacional ao vencer o São Paulo por 1×0 no Morumbi.

 

Eu ainda espero que algum dia o Correio do Povo publique novamente essas duas fotos abaixo do antológico gol de Baltazar em uma resolução decente.

Foto: Correio do Povo

 

Foto: Correio do Povo






 

 

 

 

 

 


 

 

 

 “UM TROFÉU EM DISCUSSÃO

Apesar da festa do time  e da torcida do Grêmio, a Taça de Ouro, , conquistada ontem, não
foi entregue ao capitão da equipe gaúcha após o jogo porque o Tribunal Especial da
CBF decidiu, na última terça-feira, que as duas partidas decisivas do Campeonato Brasileiro
não tivessem seus resultados homologados.

A pedido do Botafogo, que pretende impugnar o seu jogo contra o São Paulo, realizado no
domingo passado, o Tribunal Especial julgou e decidiu que o campeão da Taça de Ouro não tivesse seu título homologado enquanto o Superior Tribunal de Justiça Desportiva não julgasse o recurso em que o clube carioca pede a impugnação da partida de domingo passado.

O caso deve ser julgado na próxima quinta-feira, embora Antônio Quintela, , advogado do Botafogo,
venha tentando todos os esforços no sentido de incluir na pauta do julgamento de amanhã todo o caso que há algum tempo vem criando toda a polêmica em torno da Taça de Ouro. O Botafogo, no entanto, não deve ter sucesso nas suas tentativas, pois o caso é complicado e tem contornos legais
bastante confusos.

Além do mais, no caso de anulação da partida, o Grêmio seria o principal prejudicado, porque teria que jogar de novo duas vezes para provar outra vez ser o melhor time do Brasil. E para agravar:
a Seleção Brasileira, já em atividade para amistosos na Europa, viajará dia 7, esvaziando qualquer competição que venha a ser realizada. Tudo isso sem contar com o fato de que os principais jogadores de São Paulo, além do Botafogo e do Grêmio, estarem a serviço da CBF.” (Jornal do Brasil, 4 de maio de 1981)

 


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“Chegou à final, desacreditado: seu adversário era, simplesmente, a “seleção”. Mas ninguém sabia que, entre seus trunfos, havia um técnico vencedor e alguns jogadores predestinados à vitória final. Eram, todos, gigantes.Na noite histórica de 3 de maio a nação gremista saiu às ruas e tomou conta de todo o Rio Grande do Sul. Eram homens, mulheres e crianças identificados pelas camisas azuis, pretas e brancas, irmanados por uma loucura total e contagiante.
Os homens improvisaram instrumentos para a batucada, onde valia tudo -lata de cerveja e até penico – e a laegria com que conseguiam sons estridentes e retorcidos era igual à alegria de uma grande bateria de escola de samba; as mulheres desfraldaram o pavilhão tricolor com o mesmo orgulho das melhores porta-estandartes; e as crianças sopravam aquelas cornetas barulhentas com vigor semelhante ao de um sentinela em combate.
Loucura – é o mínimo que se pode dizer para sintetizar os sentimentos que essa nação gremista soltou no melhor dia dos 77 anos do clube, o dia em que o Grêmio chegou pela primeira vez ao título de campeão brasileiro. É impossível descrever de outra forma aquela massa que se deslocava aos milhares em direção ao aeroporto Salgado Filho para receber os novos heróis do Rio Grande cantando o refrão do hino gremista com um ufanismo comovente.
Era de se imaginar neles o mesmo orgulho de quem foi para as ruas, em 1930, para receber os revolucionários gaúchos que reagiram à humilhação que o poder central da República impunha à província, atacaram a sede do governo no Rio de Janeiro e amarravam seus cavalos no obelisco da Avenida Rio Branco.
Não há exagero na descrição do desabafo da torcida. Basta reproduzir as palavras do debochado Marinho, após a primeira derrota de seu time, em Porto Alegre: “O São Paulo não vai perder o título pra esses caras porque tem sete jogadores de seleção.
Foi esse tipo de provocação que feriu e humilhou o amor-próprio do gaúcho. Mas não foi só ele, foi quase todo o Brasil debatendo através da imprensa a inferioridade gremista, discutindo os critérios que permitiram sua participação na final, como se o Grêmio fosse o convidado trapalhão prejudicando o brilho da festa ou o patinho feio na lagoa reservada aos cisnes. O resumo era que o São Paulo ia ganhar como quisesse e quando quisesse – tese reforçada depois da virada contra o Botafogo, no Morumbi. O maior erro na avaliação aconteceu porque poucos sabiam que o Grêmio começou a se preparar antes de todos para a Taça de Ouro. Começou ainda em outubro, com a contratação do uruguaio De León, negócio caro e arriscado na época – 42 milhões. Mas que acabou plenamente justificado pelo futebol deste novo caudilho que chegou prometendo ser campeão brasileiro, depois de faturar a Libertadores e o Mundialito.
Outro momento decisivo foi a aposta em Ênio Andrade, um técnico com a bagagem do título brasileiro, invicto, pelo Inter em 79, e que sempre teve seu forte na simplicidade com que transmite as ideias. Um amigo dos jogadores – a ponto de receber o aval de Falcão com uma frase que virou profecia: “Com a contratação de Ênio, o Grêmio começou a ser campeão brasileiro.” Ênio pegou um time traumatizado em termos de Taça de Ouro, exatamente pelo sucesso impressionante do Inter, seu grande rival do Sul, com três títulos nos últimos seis anos. Essa talvez tenha sido a grande dificuldade para superar os primeiros obstáculos, o que ele só conseguiu com muita determinação. Prova disso é que poucas campanhas do Grêmio em anos anteriores foram piores em termos de retrospecto – sete derrotas em 23 partidas – mas nada abateu a confiança do time, como resumiu Tarciso, o mais antigo dos titulares: “Nos outros anos, quando havia algum fato negativo, a confiança se abalava e a casa caía. Este ano, houve derrotas incríveis e ninguém se desesperou, porque prevaleceu a força de vontade transmitida pelo comandante aos comandados através do diálogo firme e honesto.” Os cabelos brancos de Ênio Andrade tiveram peso decisivo na armação de um time com esquema de jogo definido e sobretudo preparado para enfrentar os jogos de vida e morte. O Grêmio chegou à final consciente das suas limitações e até satisfeito, mas recebeu na última hora a “ajuda” involuntária do São Paulo, pretensioso e prepotente com declarações como as de Marinho, por exemplo, acreditando que ganha ria o título com o nome de suas estrelas. O São Paulo perdeu no Olímpico e perdeu no Morumbi porque não se deu conta de que um campeão se faz com humildade e garra. O Brasil deve agradecer ao Grêmio essa lição, até porque o São Paulo é a base da seleção e sentiu na carne como é difícil superar um time com vergonha na cara, de raça, coragem, determinação e disposto a tudo pela vitória. Essa lição precisa ser assimilada porque o Mundial da Espanha está próximo demais e a lembrança de que fomos “campeões morais” começa a ser esquecida. Como disse com simplicidade o caudilho De León, no meio da loucura na chegada dos campeões a Porto Alegre. “Melhor time é o que ganha!” Nessa pequena e objetiva declaração se resume todo o segredo de qualquer conquista. Assim como definitiva, também, foi a resposta do goleiro Leão àqueles que consideravam suficiente a conduta do Grêmio até a final com o São Paulo. O vice seria o bastante. “Vice? E eu estou aqui pra ser vice?”, bradou Leão, despertando em cada coração gremista a ambição pelo máximo possível. (http://placar.abril.com.br/gremio/materias/e-eram-gigantes.html)

 

 

 

“Grêmio ganhou mas ainda não levou a taça
O Grêmio ganhou o titulo no campo mas ainda não pode levar a Taça de Ouro e talvez tenha que esperar muito tempo por uma decisão da Justiça em face do recurso em que o Botafogo pede a anulação do seu jogo com o São Paulo, no Morumbi. Quem perder no Tribunal Especial, amanhã, pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBF, depois ao Conselho Nacional de Desportos, e, se quiser, até à Justiça Comum. De qualquer maneira, a CBF não pode homologar o titulo de campeão brasileiro até o final da decisão da Justiça Desportiva, segundo comunicação do TE ao presidente da CBF. E possível agora que o Grêmio entre como litisconsorte para garantir o titulo ganho no campo. “
(Jornal dos Sports – 4 de maio de 1981)

 

 

 

 

SÃO PAULO: Waldir Peres, Getúlio, Oscar, Darío Pereyra e Marinho Chagas; Élvio, Renato e Éverton (Assis); Paulo César, Serginho e Zé Sérgio
Técnico: Carlos Alberto Silva

GRÊMIO: Leão, Paulo Roberto Costa, Newmar, De Leon e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vilson Tadei (Jurandir); Tarciso, Baltazar e Odair (Renato Sá)
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981 – Final – Jogo de volta
Data: 03 de maio de 1981, Domingo, 16h00min
Local: Morumbi, em São Paulo, SP
Público: 95.106 pagantes
Renda: Cr$ 33.819.400,00
Árbitro: José Roberto Wright (RJ);
Auxiliares: Luis Carlos Felix e Valquir Pimentel
Cartões Amarelos: Darío Pereyra, Éverton, Paulo César e China;
Expulsão: Serginho 43′ do 2º.
Gol: Baltazar 20′ do 2º;

2 Responses to “Brasileirão 1981 – Final – Jogo de Volta – São Paulo 0x1 Grêmio”

  1. Entrevista com Rafael Bandeira e os 40 anos do titulo - Corneta do RW Says:

    […] Brasileirão 1981 – Final – Jogo de Volta – São Paulo 0x1 Grêmio […]

  2. Brasileirão 1981 – Todos os jogos da Campanha | Grêmio1983 Says:

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