Gauchão 1990 – Grêmio 3×1 Juventude

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Foto: José Doval (Zero Hora)

No Gauchão de 1990 o Grêmio recebeu o Juventude pela primeira rodada do quadrangular final. O tricolor iniciava essa etapa derradeira da competição com um ponto de vantagem por ter conseguido classificação no primeiro e no segundo turno.

Assis foi o destaque da vitória gremista, e isso rendeu uma coluna “um pouco” exagerada de Paulo Sant’ana (transcrita abaixo).

Um detalhe interessante é que o Grêmio trocou de camisa no intervalo, passando da tricolor para a branca. É curioso que por vezes se considera que a camisa verde e branca do Juventude pode gerar confusão com a camisa tricolor e por vezes nao se pensa nisso (o mesmo acontecia com a camisa listrada do Palmeiras nos primeiros anos da Era Parmalat).

Tentei mas nao descobri por que o jogo foi marcado para as 18h30min de um dia de semana.

Foto: José Doval (Zero Hora)

ASSIS BRILHA E O GRÊMIO É LÍDER
O Grêmio trocou de camisetas e de futebol na etapa final: venceu o Juventude. É o líder, pois tinha um ponto extra. Agora é Gre-Nal

O Grêmio venceu ao Juventude por 3 a 1, e manteve a liderança isolada do Quadrangular Final do Gauchão 90, em um jogo com dois tempos bem distintos. É claro que a iniciativa foi sempre gremista, mas a maneira como as equipes se comportaram na primeira e na segunda etapa foi diferente. O Grêmio começou sem imaginação e usando muito o miolo do campo. Paulo Egídio era bem marcado, assim como Darci e Alfinete, no outro lado. Hélcio era o único que tinha liberdade, mas não soube aproveitá-la. O resultado foi uma partida ruim, em que as maiores emoções aconteceram nos dois gols, nos cinco minutos finais.

O segundo tempo mostrou um Grêmio mais eficiente no ataque. E um Juventude desatento nos primeiros minutos. O que resultou no gol de Cuca, que abriu caminho para a vitória do Grêmio. Assis começou a se soltar mais. E criava praticamente todas as jogadas ofensivas gremistas. O Juventude, por sua vez, saia desordenadamente para a frente, permitindo os contra-ataques perigosos do adversário. Gérson Lopes não foi o mesmo jogador inspirado de outras partidas e o sistema defensivo do time de Fito também deixou a desejar. Ele terá muito o que arrumar para o difícil clássico de domingo contra o Caxias.” (Antônio Bavaresco, Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Foto: Luis Tajes (Zero Hora)

PRINCIPAIS LANCES

Primeiro tempo

7 minutos — Assis pega o rebote de uma bota da defesa e chuta por cima

10 minutos — Hélcio recebe na pequena área, mas na hora da conclusão erra e perde a chance.

24 minutos — Nílson recebe de Cuca, avança livre, mas erra na finalização, permitindo a defesa do goleiro Beto, que tocou para escanteio.

41 minutos — Assis marca o gol do Grêmio em uma jogada individual, chutando de perna esquerda, no ângulo superior direito do goleiro, que não teve chances.

44 minutos — Neni empata a partida, depois de boa jogada de Pichetti e da falha da defesa gremista. A bola sobrou para ele, que só encostou para o gol.

Segundo tempo

2 minutos — Nilson, livre, cabeceia ao lado do gol.

3 minutos — Cuca, faz o segundo do Grêmio, aos 3 minutos do segundo tempo, depois de um lindo passe de Assis.

27 minutos — Nilson, de cabeça, marca o terceiro do Grêmio, novamente depois de uma excelente jogada de Assis.

37 minutos — Neni acerta a trave de Mazaropi, que depois faz a defesa.

39 minutos — Caio entra livre, avança e chuta, mas o goleiro Beto faz uma boa defesa e evita o quarto gol.” (Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Gauchão 1990 - Grêmio 3x1 Juventude - AssisFoto: Paulo Dias (Folha de Hoje)

Foto: Paulo Dias (Folha de Hoje)

PAULO SANT’ANA – MELHOR QUE O PELÉ

Tive ontem uma das maiores emoções da minha vida depois que Assis fez um gol genial que abriu o marcador de uma partida que parecia ir terminar empatada, depois que Cuca fez um grande gol servido por uma jogada e uma passe de Assis que simplesmente carecem idiomaticamente de adjetivos, fui ovacionado entusiasticamente pelo povo gremista que estava nas sociais e nas cadeiras cativas do Grêmio

Recebi desinteressadamente aqueles aplausos de gratidão. Porque nem sou candidato nem vou encher mais o saco de ninguém, nunca mais, em torno de opiniões futebolísticas. Os leitores são testemunhas de que estou me afastando do futebol: esta coluna derivou desiludidamente para outros assuntos, embora agora eu vá começar a dar de relho em toda a periferia no que se refere a eles. Muito obrigado pelos aplausos de gratidão. Só que, a cada uma dos cerca de 300 torcedores que conseguiram chegar em mim, eu disse o seguinte: “Não agradeçam a mim. Façam isso ao Evaristo, que teve a luminosidade de lançar o Assis no primeiro jogo sério e decisivo deste campeonato. Vão lá e abracem o Evaristo, ele é que merece. Ele e o Rafael Bandeira, que agora está permitindo ao treinador que Assis seja escalado. Com outros treinadores, Rafael não permitia. O Rafael merece também o agradecimento de vocês.

Sei porque a torcida me ovacionou. Porque o gol de Assis fez nem Pelé faria. De novo os leitores não vão acreditar em mim – e por isso todos se quebram. Acreditem: nem o Pelé faria. Uma vez escrevi que Valdo era melhor que Didi. Valdo faz sucesso na Europa. Didi fracassou na Espanha. Pois agora vou escrever uma coisa que ninguém vai acreditar – e eu com isso, cedo ou tarde se provará: se deixaram Assis jogar, se ele não foi mais incrivelmente barrado na escalação do Grêmio, vira um jogador melhor que Pelé. Lógico que o Assis tem que tirar aquela máscara dele e deixar de ser bodoso. Tem que ter humildade, trabalhar muito nos treinos e aprender que para ir para Itália tem que antes consagrar-se no Grêmio. Aplicar-se. Aí vai ser uma barbada. É craque, é gênio, é megaestrela. Eu sempre disse. Mas jamais qualquer pessoa acreditou. Por isso é que vou me consagrar daqui por diante escrevendo sobre outros assuntos. A burrice que domina o futebol me cansou. Se Assis tivesse jogado na Copa, não haveria tri alemão. Era tetra nossos. Mas ninguém acredita. E eu não tenho mais idade para dar murro em faca de ponta. Menos mal que ontem me ensurdecem de aplausos” (Zero Hora, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

GRÊMIO VENCE E JÁ É LÍDER ISOLADO DO CAMPEONATO

O Juventude jogou bem, mas não consegui resistir à qualidade gremista e perdeu por 3 a 1 na estréia no quadrangular

O Grêmio arrancou bem no quadrangular final do campeonato gaúcho, confirmando a liderança isolada, graças ao ponto extra obtido na fase classificatória, vencendo o Juventude por 3 x 1, no estádio Olímpico, ontem à noite. O tricolor encontrou dificuldades apenas no primeiro tempo, quando o time caxiense conseguiu fechar os espaços e conter o ataque gremista.

O Grêmio começou o jogo marcando por pressão, mas só conseguiu abrir o placar aos 42 minutos, numa jogada de craque de Assis que deu um lençol no zagueiro e bateu forte sem chances para o goleiro Beto. Aos 44 minutos, Neni aproveitou boa jogada de Pichetti pela direita e empatou. Na etapa final, o pentacampeão gaúcho voltou com mais força ofensiva. Assis, o melhor jogador em campo, matou no peito, aos 2 minutos e tabelou com Cuca que marcou o segundo gol. Aos 23 minutos, outra vez Assis lançou para a cabeceada certeira do goleador NiIson fechando o placar.

Além de Assis, Cuca também apresentou grande movimentação, contribuindo decisivamente para a perfeita articulação gremista e rompendo o esquema defensivo armado pelo treinador Fito. Os jogadores gremistas parece que não foram influenciados pelo futebol defensivista e de raros gols mostrados no Mundial na Itália. O time atuou o tempo todo buscando os gols que acabaram surgindo ao natural. Ao Juventude, considerado o mais fraco participante do quadrangular, resta a reabilitação.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Foto: José Doval (Zero Hora)

FITO RECONHECE SUPERIORIDADE GREMISTA NA PARTIDA DE ONTEM

Apesar da derrota, o Juventude apresentou qualidades ontem. O técnico Fito montou um eficiente esquema tático que resistiu ao Grêmio, praticamente durante todo o primeiro tempo. Bem postado na defesa e ocupando os espaços no meio do campo, o posicionamento do Ju agradou o treinador e foi elogiado pelo experiente técnico gremista, Evaristo de Macedo.

“O Juventude mostrou um futebol moderno e aplicado, foi um adversário difícil e bem estruturado que ainda pode surpreender neste campeonato àqueles que imaginavam um time fraco”, destacou Evaristo. Já o técnico Fito, abatido com a derrota, disse que “as vitórias de Grêmio e Caxias confirmaram a boa fase das duas equipes, apontadas como favoritas para vencer o campeonato”. Contudo, garantiu que confia numa boa apresentação e na vitória no clássico.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

“ASSIS FOI O CRAQUE TRICOLOR NA PARTIDA

O melhor elogio ao futebol exuberante apresentado pelo meia Assis, ontem à noite, no Olímpico, partiu do treinador Fito, do Juventude que atribuiu a ele o papel decisivo na vitória do Grêmio. “O Assis desequilibrou o jogo, principalmente no segundo tempo. Espero que não apareça um técnico na seleção brasileira para tolher o seu talento”, afirmou. O jovem jogador gremista mostrou todo a categoria habitual. Mas ontem apresentou ainda uma movimentação intensa por todo o campo e muita garra, como no primeiro gol, quando apareceram todas estas características.

Alegre com a sua atuação, Assis foi humilde e destacou o trabalho de toda a equipe, sobretudo de Cuca, facilitando a sua movimentação. “Todo o Grêmio esteve bem, podíamos até ter conseguido um resultado mais amplo. Mas o importante foi a vitória que colocou o Grêmio na liderança isolada do campeonato. Agora, esperamos manter esta vantagem até o final do quadrangular”.

Assis não quis falar em transferência para o futebol europeu, garantindo que no momento está preocupado apenas em ganhar o gauchão, valorizando ainda mais o seu futebol. “Quando chegar a hora, vamos pensar no futuro”, concluiu o meia.” (Folha de Hoje, quinta-feira, 12 de julho de 1990)

Gauchão 1990 - Grêmio 3x1 JuventudeFoto: Marco Aurélio Couto (Pioneiro)

Foto: Marco Aurélio Couto (Pioneiro)

Grêmio 3×1 Juventude

GRÊMIO: Mazaropi; Alfinete, João Marcelo, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir (Geverton), Assis e Cuca; Darci (Caio), Nilson e Paulo Egídio.
Técnico: Evaristo de Macedo

JUVENTUDE: Beto; Tarantini, Amarildo, Dorotéo Silva e Marcão (Gilmar), Simão, Neni e Gérson Lopes, Nelsinho, Ferreira e Pichetti
Técnico: Fito Neves

Gauchão 1990 – Quadrangular Final – Primeira Rodada
Data: 11 de julho de 1990, Quarta-feira, 18h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre, RS
Público: 5.465 pagantes
Renda: Cr$ 1.288.800,00
Árbitro: Jorge Schaefer
Auxiliares: Adão Alípio Soares e Sérgio Chagas.
Cartões amarelos: Nelsinho e Hélcio
Gols: Assis, aos 41 minutos; Neni, aos 44 minutos do primeiro tempo; Cuca, aos 3 minutos; e Nilson, aos 27 minutos do segundo tempo

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