Gauchão 1990 – Juventude 3×3 Grêmio

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Foto: Antonio C. Galvão (Pioneiro)

Em 25 de julho de 1990, o Grêmio enfrentou o Juventude no Alfredo Jaconi pelo Gauchão daquele ano. O tricolor fez um grande primeiro tempo, abrindo 3×0, e ia conquistando o título com uma rodada de antecipação. Porém, sofreu dois gols no início da segunda etapa e teve sua volta olímpica adiada para o clássico da rodada final quando Simão empatou, estabelecendo o 3×3 final, aos 45 minutos do segundo tempo

Foto: Valdir Friolin (Zero Hora)

“JUVENTUDE ADIA DECISÃO DO CAMPEONATO
Foi uma partida cheia de alternativas e no final o resultado que transferiu tudo para os dois clássicos do próximo domingo

O Grêmio esteve a segundos de comemorar, ontem à noite, o segundo hexacampeonato de sua história Num jogo emocionante, disputado em Caxias do Sul, empatou com o Juventude em 3 a 3, e adiou a decisão para o final de semana, rodada final da competição. O último gol do Juventude, o que determinou o empate, só foi marcado no último minuto da partida.

Os primeiros 45 minutos do Grêmio na partida foram de excelente qualidade. Assis conseguia superar o péssimo estado do gramada, a marcação adversária, e dava início às principais jogadas do time. No mesmo nível técnico, apenas o centroavante Nílson, que se deslocava com inteligência para as duas pontas, e confundia a zaga do Juventude. A superioridade era enorme e os gols saíram ao natural, através de Cuca após escanteio; com Nilson depois de ótima jogada de Darci; e novamente com Nílson, de sem pulo (o gol mais bonito), em cruzamento de Paulo Egidio. O desnorteado Juventude sequer ameaçava Mazaropí.

Mas após o intervalo o time de Caxias voltou com dois novos jogadores — Baiano e Nelsinho nos lugares de Gilmar e Dido — e, mais importante, voltou com novo ânimo, disposto a virar o jogo com muita bravura. A nova disposição assustou o Grêmio, pois em quatro minutos Pichetti fez dois gols. A partir daí a partida ficou dramática. Era preciso segurar tamanho ímpeto 9 para garantir o título. Então Tarantini cruzou, Simão fez o gol e o campeonato não acabou.” (Renato Bertuol Barros, Zero Hora, quinta-feira, 26 de julho de 1990)

 “COTAÇÃO

JUVENTUDE
BETO — Podia ter saído de baixo do travessão para dificultar o ataque. Nota 4
TARANTINI — Marcou bem a Paulo Egidio e conseguiu ajudar o ataque. Nota 6
AMARILDO — Um início confuso No segundo tempo não teve trabalho. Nota 5
DOROTÉO SILVA — Parado em campo. Marcou mal e saiu pouco. Nota 3
GILMAR — Jogou lamentáveis 45 minutos e acabo substituído. Nota 2
SIMÃO — Garra e disposição premiadas com um gol no último minuto. Nota 7
NENI — No início, muito afoito, prejudicou o sistema de marcação. Nota 5
PEDRO HAROLDO — Boas jogadas individuais. Errou nas conclusões. Nota 7
DIDO — Jogou só o primeiro tempo. Ou melhor, não jogou. Nota 1
FERREIRA — Um segundo tempo de muita luta. Decisivo para virar o jogo. Nota 7
PICHETTI — Um discreto começo. Depois saiu da ponta e se constituiu no melhor do time. Nota 8
BAIANO — Substituiu Gilmar e foi um marcador bem mais eficiente. Nota 6
NELSINHO — Mais atrevido e mais decidido que Dido. Melhorou o time. Nota 6

GRÊMIO
MAZAROPI — Não teve culpa nos gols sofridos. Era muita confusão na área. Nota 6
ION — Jogou só 15 minutos, período em que usou de muita violência. Nota 3
JOÃO MARCELO — Muito entusiasmo. Faltou um pouco mais de tranqüilidade. Nota 6
LUÍS EDUARDO — Perdido em campo nos últimos 45 minutos. Nota 4
HÉLCIO — Discreto na marcação e sem presença ofensiva. Nota 4
JOÃO ANTÔNIO — Alternou bons e maus momentos no jogo. Irregular. Nota 5
CUCA — Fez o primeiro gol e brigou até o último minuto. Nota 7
ASSIS — Excelente primeiro tempo. Caiu de produção no segundo. Nota 8
DARCI — Bem utilizado no início. A marcação forte o anulou no segundo. Nota 5
NÍLSON — Inteligente, oportunista. Fez dois gols, o segundo muito bonito. Nota 8
PAULO EGÍDIO — Participou de dois gols. Mas não fez muito mais. Nota 5
GEVERTON — Substituiu Ion, marcou com força, mas nada criou. Nota 5” (Zero Hora, quinta-feira, 26 de julho de 1990)

MAZAROPI ASSUME ERROS: ‘NOSSO TIME VACILOU”

O clima era de velório no vestiário do Grêmio, depois do incrível empate de ontem, no Alfredo Jaconi. O primeiro tempo terminou em 3 a O para o Grêmio, mas em quatro minutos o time de Hélio dos Anjos reagiu, fez dois gols e empatou aos 45 minutos, após lima cobrança de falta. Ninguém conseguia esconder a decepção e o desespero que tomou conta do time. O zagueiro João Marcelo saiu de campo chorando e nem quis dar entrevistas. Os dirigentes pareciam não acreditar no que acontecia e entreolhavam-se perplexos.

O presidente Paulo Odone lembrou os momentos difíceis que clube já enfrentou no passado:

— É sempre assim. Antes de uma grande conquista, temos que sofrer demais.

Mas o goleiro Mazaropi procurava ser mais realista:

— Nós estávamos com a partida na mão e vacilamos. Paciência, agora é pensar em garantir o título no domingo. Temos que assumir os erros e tentar dar a volta por cima.

João Antônio, como é de sua característica, também procurava racionalizar:

— Não tem nada, não. Vamos decidir tudo no Gre-Nal de domingo. Não podemos nos abater.” (Renato Bertuol Barros, Zero Hora, quinta-feira, 26 de julho de 1990)

EVARISTO RECONHECE QUE FALTOU LIDERANÇA

O técnico Evaristo de Macedo ficou muito irritado com a falha da defesa do Grêmio, no gol de empate do Juventude, E credita o resultado à falta de uma liderança mais forte, no momento decisivo:

— Não podia acontecer. É uma jogada que nós treinamos em todos os coletivos. Quando a falta é frontal à grande área, a orientação é para que todos saiam e deixem o ataque adversário em posição de impedimento. Mas justamente na hora mais decisiva, mais importante, eles simplesmente esqueceram. Acho que faltou uma liderança naquele momento.

Mesmo assim, Evaristo procurou manter a serenidade e analisar o empate em 3 a 3 com urna certa friesa:

— Eles também tiveram sorte, ao marcarem dois gols, logo no início do segundo tempo, graças à raça. O último gol é que não poderíamos ter levado. Nós já tínhamos o jogo sob controle.

O vice, Rafael Bandeira dos Santos, estava arrasado:

— Não há explicação. O primeiro tempo foi excelente. O segundo foi péssimo. Então, não há como explicar. Só mesmo pelo futebol.” (Renato Bertuol Barros, Zero Hora, quinta-feira, 26 de julho de 1990)

BIAZUS ANUNCIA QUE VENCE O RIVAL
Já o astral entre os jogadores e dirigentes do Juventude era totalmente inverso. Muita festa pelo resultado inusitado e incrível, que reverteu toda a história do campeonato. E a alegria de quem recebeu bicho-extra para não perder. O vice, Biazus, fez questão de dar sua resposta às provocações feitas pelos dirigentes do Caxias:

— Isso é para que o Costamilan saiba com quem está tratando. Ele insinuou que nós iríamos entregar alguma coisa. Agora, nós vamos lá dentro do Centenário e ganharemos do Caxias. Não vai ter moleza.

Mas o grande herói do jogo foi mesmo o volante Simão, autor do gol de empate, aos 45 minutos do segundo tempo:

— É claro que estou muito feliz. O jogo estava difícil. Nós bobeamos, principalmente no primeiro tempo, mas nós conseguimos reagir e chegar ao empate. E isso foi bom também porque garantiu um bichinho para a gente. Simão deverá ser jogador do Internacional depois do Gauchão, segundo admitiu o próprio presidente José Asmuz, ontem após o jogo.” (Zero Hora, quinta-feira, 26 de julho de 1990)

Foto: Antonio C. Galvão (Pioneiro)

Foto: Luiz Chaves (Folha de Hoje)

JUVENTUDE: Beto; Tarantini, Amarildo, Dorotéo Silva e Gilmar (Baiano); Simão, Neni e Pedro Haroldo; Dido (Nelsinho), Ferreira e Pichetti
Técnico: Hélio dos Anjos

GRÊMIO: Mazaropi; Ion (Geverton), João Marcelo, Luis Eduardo e Hélcio; João Antônio, Cuca e Assis; Darci, Nilson e Paulo Egidio
Técnico: Evaristo de Macedo

Gauchão 1990 – Quadrangular Final – 5ª Rodada
Data: 25 de julho de 1990, quarta-feira, 20h00min
Local: Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul
Público: 6.403 pagantes
Renda: Cr$ 2.410.000,00
Arbitragem: Carlos Martins
Auxiliares: Valdir Cardia e Paulo Felipe
Cartões amarelos: Gilmar, Pichetti, Ion e João Marcelo
Gols: Cuca, aos 8 minutos do primeiro tempo. Nilson, aos 27 minutos do primeiro tempo. Nilson, aos 44 minutos do primeiro tempo. Pichetti, aos 2 minutos do segundo tempo. Pichetti, aos 4 minutos do segundo tempo. Simão, aos 45 minutos do segundo tempo.

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