Gauchão 1990 – Grêmio 4×1 Inter

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Foto: Fernando Gomes (Zero Hora)

 

Há exatos 30 anos, o Grêmio goleava o Internacional por 4×1 e conquistava o Gauchão de 1990, o seu sexto título estadual em sequência. Vale lembrar que o tricolor precisava apenas de um empate para levantar a taça.

Nessa última partida o Olímpico recebeu 24.916 pagantes. O baixo público se explica pelo fato de a diretoria gremista ter interditado a arquibancada superior do Olímpico, se antecipando a uma futura interdição pela Federação Gaúcha de Futebol (interdição que foi provocada pela denúncia do ex-dirigente colorado e então colunista Hugo Amorim).

 

 

Foto: Luiz Avila (Zero Hora)

VALEU A PENA ESPERAR PELO HEXA COM GOLEADA

Análise técnica

Uma goleada que a torcida gremista não vai esquecer. 4 a 1, ao natural, sem precisar forçar muito em cima de um Inter totalmente desestruturado. Apesar da goleada histórica, foi um jogo de baixo nível técnico. O Grêmio, cauteloso em conseqüência de erros defensivos de jogos anteriores, entrou em campo visivelmente com a intenção de não se abrir, esperando que o Inter desse espaços para o contra-ataque. E como Assis fez um gol de falta logo no quinto minuto, a disposição defensiva se evidenciou ainda mais.

Mazaropi ficava a trocar passes com os zagueiros, os laterais marcavam forte, até com violência, Jandir ficava plantado à frente da zaga, e até o ponteiro Paulo Egídio ajudava a marcar no meio. Diante de tamanha preocupação defensiva, os setores de meio-campo e ataque do Inter, normalmente pouco produtivos, se mostraram ainda mais ineficientes. Era o lateral Chiquinho quem tentava compensar, somando-se ao ataque. Mas era muito pouco.

Foi após falta cobrada por Chiquinho, no início do segundo tempo, que o Inter empatou. Ajuda do acaso. E o jogo, se ganhava em emoção, continuou ruim em qualidade. De bonito, o grande gol de Cuca aos 19, o que acabou de vez com as chances cobradas. A partir dele a violência aumentou, Marcelo Pratas foi expulso e Paulo Egídio fez dois gols em falhas horrorosas de um medíocre Inter.

Análise tática

Ao Inter só interessava vencer na tarde de ontem. Daí que se esperava uma disposição tática mais ofensiva do time que entrou em campo para tentar estragar o hexacampeonato do Grêmio. Mas frustraram-se aqueles que esperavam tal ofensividade. Para começar, o técnico Ernesto Guedes optou por colocar na lateral-esquerda um jogador bom na marcação, mas ruim no apoio, que é Célio, deixando Daniel no banco. No meio colocou dois centromédios, Norberto e Júlio; e no ataque apenas Nelson e Edu, sendo que este último ainda sem a obrigatoriedade de ficar na ponta para ganhar o duelo com Fábio.

Assim, ficou fácil para o Grêmio controlar o jogo. Os quatro zagueiros do time de Evaristo Macedo ficaram presos à defesa (exceção feita a Luís Eduardo que fez duas investidas no ataque), Jandir era um quinto zagueiro, de grande eficiência, e do meio para a frente todos ajudavam na marcação, inclusive o centroavante Nilson, que em momento algum deixou Zabala ou Sandro sair com a bola dominada de trás.

No segundo tempo, quando o jogo estava 2 a 1 para o Grêmio e o campeonato praticamente definido, Guedes fez duas tardias tentativas de mudar o panorama do jogo. Tirou o meia-esquerda Luís Fernando, que nada havia feito, e colocou o ponteiro-direito Rudinei. E tirou Célio, colocando Daniel. Mas a equipe já estava psicologicamente arrasada. As trocas deram em nada.” (Nico Noronha, Zero Hora, 30 de julho de 1990)

NÚMEROS (Zero Hora, 30 de julho de 1990)
GRÊMIO INTER
Conclusões 7 4
Escanteios a favor 3 2
Faltas cometidas 27 14
Passes certos 47 34
Passes errados 25 16
Impedimentos 4 10
Defesas 4 4

Principais lances

PRIMEIRO TEMPO

 5 minutos — Falta na ponta-direita. Assis, surpreendentemente, cobra direto, no ângulo esquerdo. Gol (com ajuda do goleiro Maizena).

8 minutos — Edu cobra escanteio. Mazaropi falha e a bola entra no ângulo esquerdo. O juiz, equivocadamente, marca falta de Nelson no goleiro.

 20 minutos — Luís Eduardo atravessa todo o campo, ganha dividida com Sandro, mas na hora de chutar bate fraco, rasteiro e Maizena defende.

25 minutos — Nelson vira na frente de dois adversários e chuta. Mas a bola vai no meio do gol e Mazaropi defende.

34 minutos — Nelson cruza e Célio, desequilibrado dentro da pequena área, cabeceia fraco, para defesa de Mazaropi.

43 minutos — Chiquinho cobra falta de longa distância. Mazaropí faz a defesa no canto inferíor esquerdo.

SEGUNDO TEMPO

2 minutos — Chiquinho cobra falta. Fábio tenta aliviar, dá uma “rosca” para cima e a bola sobra para Zabala, que acerta o canto direito. 1 a 1.

19 minutos — Cuca domina fora da área, deixa a bola picar e então bate forte, alto, no meio do gol. Maizena, adiantado, não impede o gol.

31 minutos — Sandro tenta sair jogando e entrega a bola para Paulo Egídio, que invade a área, escolhe o canto direito e chuta rasteiro. 3 a 1.

40 minutos — Assis bate falta da direita, a bola desvia na barreira e vai a Paulo Egídio, que — sem marcação — cabeceia no canto esquerdo. 4 a 1.” (Zero Hora, 30 de julho de 1990)

 

Foto: Lemyr Martins (Placar)

“HUGO AMORIM: 

SEM ILUSÕES

Se o Internacional tivesse ganho o Gre-Nal, mesmo assim o Grêmio seria hexa, pois o Caxias não foi além de um empate com o Juventude.

Eu fiz o que pude, até nestas últimas semanas nas quais pela lógica tudo já estava perdido, para ajudar o Caxias, tentando impedir a conquista gremista. Fi-lo por ser um dever, mas em nenhum momento acreditei fosse possível. Não sou bobo. O time do Grêmio é medíocre, porém a diferença de pontos era grande demais e OS times dos outros são piores. O Internacional, no quadrangular, ganhou quatro pontos em 12…

O escore (goleada, 451) do Gre-Nal foi exagerado, as duas equipes jogaram pouco. O Grêmio ganhou por aquilo que sempre falei: Cuca, Nilson e P. Egydio. Esta é (ou era, já que venderam Cuca) a diferença. Taticamente, o Internacional foi engraçado: Nelson atuou na ponta-direita e ninguém jogou de centroavante. Isto contra um Grêmio em cuja área qualquer bola, sobretudo alta, é meio gol. Deve ser “futebol moderno”…

Não é difícil formar um time superior ao do Grêmio. Todavia, o Internacional está longe disto. Este jogo deixou isto bem claro.

Objetivamente, não tenho ilusões. Em 68, uma goleada como a de ontem se constituiu em umas das motivações para a reviravolta de 69, o grande time de 74/75/76, o octa e tri brasileiro. Hoje, não vejo capacidades para algo similar.

Olímpico semi-interditado
Ficou lúgubre o Olímpico com as arquibancadas vazias. A direção do clube, não tendo conseguido um laudo favorável à consistência desta parte do estádio, sensatamente não a usou no Gre-Nal. Eu, denunciante solitário do gravíssimo problema, cumprimento-a por isto. É melhor arcar com o terrível ônus de demolir e reconstruir (quando for possível) tudo aquilo do que colocar em risco milhares de vidas. No entanto, conto o Odone falou que na 6ª o Hofmeister tentou interditar o estádio, talvez a medida tenha sido apenas para “correr na frente”.” (Hugo Amorim – Zero Hora, 30 de julho de 1990)

Foto: José Doval (Zero Hora)

“O Grêmio pode ser obrigado a en­frentar o São Paulo, amanhã à tarde, pela segunda fase da Copa do Brasil, no estádio do Inter. É que a Federação Gaúcha de Futebol interditou o Olímpico, por causa das arquibancadas superiores, que trepidam, sempre que o público toma este setor.

Preocupada com um possível acidente, a FGF resolveu interditar, O Próprio Grêmio lacrou a área para o Gre-Nal, temendo pelo pior.

O Presidente do Grêmio, Paulo Odone Ribeiro, argumenta que a interdição não passa de uma represália por causa dos desentendimentos do clube com a entidade. Os dirigentes passaram a tarde de ontem, enfurnados em uma sala de reunião para decidir qual a medida que o clu­be vai adotar para contornar a situação.” (Folha de Hoje, 1º de agosto de 1990)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: Arivaldo Chaves (Zero Hora)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

placar paulo egidio

Foto: Lemyr Martins (Placar)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: José Doval (Zero Hora)

Foto: Lemyr Martins (Placar)

GRÊMIO: Mazarópi; Fábio Lima, João Marcelo, Luiz Eduardo e Hélcio; Jandir, Darci e Cuca; Assis, Nílson e Paulo Egídio
Técnico: Evaristo de Macedo

INTERNACIONAL: Maizena; Chiquinho, Célio Lino (Daniel Franco), Sandro Becker e Zabala; Júlio, Norberto e Luiz Fernando Gomes (Rudinei); Marcelo Prates, Nélson Bertollazzi e Edu Lima
Técnico: Ernesto Guedes

Data: 29 de julho de 1990, domingo, 15h30min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre – RS
Público: 24.916 pagantes
Renda: Cr$ 9.672.100,00
Árbitro: Renato Marsiglia
Auxilares: Carlos Kruse e Justimiano Almeida Gularte
Cartões Amarelos: Hélcio, Darci, Cuca; Júlio, Norberto e Marcelo Prates).
Gols: Assis 4’/1; Zabala 2’/2 ; Cuca 19’/2 ; Paulo Egídio 30’/2 (G); Paulo Egídio 40’/2 .

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